08 Novembro, 2008

Deputados do Brasil, aprendam com os acreanos!

O presidente da Assembléia Legislativa do Acre, deputado Edvaldo Magalhães (PCdoB), com todo respeito, parece pinto no lixo, de tanta felicidade. Ele dá seqüência ao sonho do Programa Assembléia Aberta, dessa vez no município de Jordão. Passados poucos dias de uma eleição municipal que, por via de regra, costuma gerar fissuras entre a categoria de políticos de qualquer estado, Edvaldo chega a Feijó com 18 deputados estaduais, para ouvir em audiência pública os principais problemas da população daquele distante município do já distante Acre.



“Foi um dia de festa”, comemorava o deputado, lembrando que a animação da população durante os debates do programa era grande. Edvaldo chamou atenção para o fato de as pessoas estarem acostumadas sempre com o sumiço dos políticos após um período eleitoral e, agora, estavam vendo todos reunidos para ouvir suas vozes, geralmente inaudíveis.



Jordão é o município com o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no Acre e o segundo pior no Brasil. Com pouco mais de 6 mil habitantes, faz fronteira com o município de Tarauacá ao norte, ao sul com o Peru, a leste com o município de Feijó e a oeste com o município de Marechal Thaumaturgo.





Mas a partir da sua participação no programa, Jordão deve receber uma atenção especial do governo também na área da produção familiar. “A realidade desses locais tende a se alterar rapidamente”, observou o paramentar, lembrando que a média de problemas dos demais municípios isolados do Estado é a mesma. “O primeiro grave problema de Jordão é o custo de vida que atinge a todos. Depois vêm os setores de saúde e transporte, e é nessas áreas que o governo, a partir do Programa Assembléia Aberta, tende a centrar suas atenções.”



Vivendo há 3 anos e 7 meses no Acre, preciso confessar que não lembro de ter visto durante os 44 anos que vivi no Rio de Janeiro, nenhuma demonstração de união e emprenho da Assembléia Legislativa em torno da população de qualquer daqueles municípios. Outra coisa que nunca vi no Rio de Janeiro: uma bancada federal unida, de diferentes partidos e linhas ideológicas, tomar de assalto o Palácio do Planalto e ministérios de Brasília, em busca de recursos para o desenvolvimento do Acre. Isso vem surpreendendo o presidente Lula e seus auxiliares no poder.

Para entender porque os políticos de um estado tão pequeno se destacam no cenário nacional, como a ex-ministra Marina Silva e o senador Tião Viana, entre outros, é preciso viver no interior acreano. O estilo de vida dos acreanos favorece o debate e a confiança nos seus líderes. Algumas casas de deputados, prefeitos, vereadores e outros políticos não têm, sequer, muros ou portões. As varandas, as salas e cozinhas vivem tomadas pela gente simples da região. E num prato onde come uma pessoa, comem duas, três ou mais.

1 comentários:

casa das delíclias disse...

Caro amigo Dilson Ornelas, gostei muito da matéria que os políticos do Brasil têm que aprender com os políticos do Acre. Você foi muito claro em colocar a relação dos representantes do povo indo a Brasília fazer pressão, buscar recursos para o desenvolvimento do seu povo com a realidade no seu dia a dia na sua comunidade. É a casa que está aberta para ouvir as necessidades da gente simples da região como o seu coração está comprometido com a causa ideológica que defende. Eu vivi isso em Parauapebas no sul do Pará durante 13 anos. É isso que precisamos e não deputado com castelo estilo europeu para receber convidados.