20 Outubro, 2008

Mâncio Lima introduz novo capítulo na política acreana


Vejo em um jornal da capital acreana a carta do peemedebista Cleidson Rocha (de óculos), eleito prefeito de Mâncio Lima, aos comunistas comandados pelo presidente da Assembléia Edvaldo Magalhães (de camisa branca, ao lado de Deda (PP), de Rodrigues Alves). Cleidson agradece o apoio dos camaradas à causa mansolimense.

O filósofo, professor e coordenador do Campus Floresta da UFAC, em Cruzeiro do Sul, escreve com paixão juvenil e promete compartilhar sua gestão com o primeiro a acreditar em seu projeto político, seu amigo e também professor Ériton Maia (primeiro da esquerda para a direita), do PCdoB.

Essa carta, publicada pelo jornal online VOZDOACRE.com (e aqui abaixo) é um ícone cujo valor transcende o conteúdo da mensagem do texto ali implícita. Certamente ela fala da causa de Mâncio Lima, que uniu comunistas e peemedebistas, etc, etc, etc. Mas quem tem olhos de água pode ver que sua importância pode ser maior que o conjunto de palavras bem escritas que expressam o pensamento do filósofo e a gratidão do político.

A Carta de Mâncio Lima é um recado para todo o Acre. Porque ela reflete uma idéia que vingou nessas terras ocidentais, aliás, as mais ocidentais do país, como gosta de dizer o prefeito Helosman, que deixa o cargo dia 31 de dezembro. Que idéia? A idéia de que o PCdoB e o PMDB começam a escrever um novo capítulo da política acreana.

Tudo bem que a Frente Popular é uma obra de engenharia política que reúne partidos de ideologias que seriam no mínimo incompatíveis, caso a lógica da política não fosse outra, senão a de reunir partidos, grupos e pessoas, em torno do grande banquete que é o poder. Mas, em nome do mesmo poder, que para ser legítimo precisa emanar da vontade do povo e da sua manifestação nas urnas, no novo capítulo da política acreana, introduzido pela carta escrita por Cleidson, tem que constar o nome do PMDB. O partido que fez prefeitos em quatro municípios acreanos, cresce de importância a cada dia no cenário político do país.

E o Acre, que há alguns anos optou por pertencer ao Brasil, vai assimilar essa nova realidade até 2010, principalmente se o governador de Minas, Aécio Neves, deixar o PSDB e lançar-se, pelo PMDB, candidato à sucessão do presidente Lula.


A CARTA

Gostaria de expressar um sentimento: o da gratidão. E um outro: de reconhecimento. Estes sentimentos que compartilho agora são extensivos aos dirigentes e militantes do PCdoB, especialmente seu presidente, meu amigo Deputado Edvaldo Magalhães e ao companheiro e amigo Ériton Maia.

O sentimento da gratidão não diz respeito apenas à graça de ter podido contar com toda a força discursiva, física e moral dos membros do PCdoB na trajetória de liberdade que trilhamos para conquistar a vitória na eleição municipal de Mâncio Lima, mas pela grandeza de pensamento, de propósito e de valores, que levaram o Partido Comunista do Brasil a aderir à causa de Mâncio Lima, consubstanciada na Coligação Frente Democrática e Popular, que discutia as questões locais com toda energia crítica e criadora, baseada no desejo de redesenhar a história com traços que afirmem uma feição para a cidade e seu povo, já tão perversamente penalizado por um grupo político que não vê o coletivo como razão, mas como meio para alcançar interesses corporativos.

O PCdoB coligou com uma energia maior que os partidos parceiros: coligou com uma causa. E ajudou pautar, na rua e nos palanques, nos rios e no interior das casas, uma mensagem que fez vibrar, no coração dos manciolimenses, o sentimento de mudança que resultou na histórica vitória da liberdade sobre o mêdo.

O sentimento de reconhecimento: este não é só fruto da campanha vitoriosa e da somatória de situações que vivenciamos para construí-la. É maior, ulterior, pois que a coragem de construir causas e lutar por elas até o limite das possibilidades éticas é a marca do PCdoB. E os efeitos dessa lógica se inscrevem na nova política do Acre, qualificando-a cada vez mais, com resultados práticos visíveis. Desnecessário dizer que a história do novo Acre não seria a mesma sem a força do Partido Comunista do Brasil. Seu traço mais marcante para Mâncio Lima será, contudo, carimbado agora, com o compartilhamento da gestão municipal com o professor Ériton Maia como vice-prefeito, voz da calma e da razão, da paciência e da criatividade, da boa-vontade e do bom-senso, companheiro, amigo, parceiro de tantas causas e agora, da mais complexa e animadora, da nossa cidade.

Para finalizar, sem concluir, gostaria de expressar meus mais profundos agradecimentos pelo feito e pelo dito, pelo já pensado e pelo que ainda virá de bons frutos, pois tenho certeza que saberemos semeá-los e compartilhar a colheita com todos que precisam.

Mâncio Lima-AC, 16 de outubro de 2008.

Prof. Cleidson de Jesus Rocha
(Prefeito eleito - Mâncio Lima-AC)

1 comentários:

Valdemir Neto disse...

É duro ver meus amigos Eriton e Cledson (falo só dos amigos) tão mal acompanhados.