30 Outubro, 2008

Câmara sacode, finalmente, a sua árvore genealógica

Há 15 dias, instado a discorrer sobre as providências que a Câmara adotaria para livrar-se do neporismo, Arlindo Chinaglia (PT-SP) recorreu ao lero-lero:


"Eu não tenho informação de nenhum caso de nepotismo. Todos os que nós descobrimos ou alguém descobrir serão resolvidos...”



“...Os alertas foram dados, mas têm certas coisas que a gente só sabe quando alguém torna público".



Ao saber que a cavalaria do Ministério Público estava a caminho, Chinaglia teve de fazer por pressão o que não fizera por obrigação.



Decidiu sacudir a grande, a gigantesca, a frondosa árvore genealógica da Câmara. Foram ao solo, por ora, 102 parentes de deputados e de servidores graduados.



Somando-se a esse número os 86 parentes que já haviam sido exonerados no Senado, chega-se à grande família do Legislativo: 188 pessoas.



Fica demonstrado que, no Congresso, não havia esse negócio de “Mateus, primeiro os teus”. Nada disso. Ali, subverteu-se o provérbio:



“Mateus, primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto, sexto, sétimo, oitavo, nono, décimo, etc., os teus”.



Se a Procuradoria da República observar direitinho, acaba encontrando mais gente. Nepotismo não é praga que acabe do dia pra noite.



A coisa fugiu ao controle desde o dia em que Deus decidiu nomear o filho Dele para a Santíssima Trindade.


Texto de Josias de Souza

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