20 Setembro, 2008

Eleições de 2010 começam agora

Se alguém quer uma demonstração da campanha eleitoral de 2010, quando o presidente Lula deixar o governo, basta prestar a atenção nas eleições municipais deste ano. Vai concluir que o ano 2010 começou mais cedo.

Claro que com os resultados do pleito de 5 de outubro deste ano todos saberão, à princípio, as primeiras cartas que terão nas mãos para o jogo de 2010.

Pelo lado da oposição, é muito provável que a disputa pela prefeitura de São Paulo aumente ainda mais um racha há muito tempo existente no PSDB. Como bem relata a Folha de São Paulo, o governador José Serra contestou ontem Geraldo Alckmin, candidato de seu próprio partido, e saiu em defesa do prefeito e candidato à reeleição Gilberto Kassab (DEM). Pela manhã, Alckmin afirmou que a indicação de Kassab para a vice de Serra em 2004 fora produto de um golpe.

Irritado com a menção de seu nome, Serra reagiu só à noite e por intermédio da assessoria: "Lamento que a febre da disputa eleitoral acabe me envolvendo em ataques de campanha. A afirmação não é correta. Não houve golpe na indicação do nome, que foi feita pelo PFL, até porque quem me conhece sabe que pressão comigo não funciona. Por outro lado, como já afirmei em outras ocasiões, o Gilberto Kassab foi um vice leal e solidário. E, à frente da prefeitura, seguiu à risca nosso programa de governo".

No Palácio dos Bandeirantes, a avaliação é que Alckmin obrigou uma manifestação de Serra. Pela manhã, Alckmin afirmou que Serra não queria Kassab como vice e ameaçou desistir de concorrer quando o nome foi escolhido. "O Serra queria como candidato o Lars Grael [hoje no PPS, na época no PFL]. Depois se acertou, e já estava escolhido praticamente o Alexandre [de] Moraes [secretário municipal dos Transportes]. Houve um golpe na véspera da convenção, o Serra quase desistiu de ser candidato. Não é a forma adequada de fazer as coisas", acusou.

Alckmin também citou uma ferida antiga: a aliança entre DEM (PFL) e o PT pela eleição de Rodrigo Garcia para presidente da Assembléia Legislativa, em 2005.

"Deram [o DEM] um golpe junto com o PT na véspera da convenção, o sr. Rodrigo Garcia, que hoje está na prefeitura também. Nos derrotou unido com o PT."

Contido pelo coordenador de comunicação da campanha, Luiz Gonzalez, Kassab limitou-se a lembrar que Alckmin participara do processo de escolha de seu nome para a vice de Serra.

"Na época, ele [Alckmin] compunha a aliança, que foi muito importante para eleger o José Serra, eleger o Kassab, e ele estava também participando desse processo."

Em suas conversas, Kassab acusa Alckmin de comportamento "indigno". O presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), alfinetou: "O eleitor não espera uma atitude tão agressiva de um homem de Deus, que dizem ser ligado à Opus Dei".

Por outro lado, o presidente Lula precisa fazer um malabarismo incrível para tentar conservar a sua base política intacta até 2010. Vai ser difícil. Um bom exemplo é ver a disputa em Natal (RN), única capital em que há chance real de duas mulheres chegarem ao segundo turno - ou de uma delas vencer ainda no primeiro -, a disputa é acirrada pela prefeitura e pelo apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Isso porque a candidata Fátima Bezerra é do PT, partido de Lula, e a rival, Micarla de Sousa é do PV, partido da base aliada do governo.

Após apelos da petista, Lula entrou ativamente na campanha para tentar diminuir ainda mais a diferença. Nesta sexta-feira (19), o presidente participou de comício de Fátima e criticou os padrinhos políticos da candidata do PV.

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