
O Brasil, “deitado eternamente em berço esplêndido”, assiste a um processo de internacionalização da Amazônia. O Governo não pode, por negligência ou qualquer outra razão, omitir seu papel no futuro da Amazônia. É preocupante quando lemos declarações como essas contidas na matéria transcrita abaixo.
As ONGs, acusadas por setores da oficialidade das Forças Armadas e por segmentos do nosso mundo da política como agentes contrários aos interesses da soberania nacional na Amazônia, já declaram que a Amazônia está internacionalizada.Há algum tempo circularam na Internet alguns mapas da América do Sul, escritos em inglês e divulgados por internautas norte-americanos. Neles aparecia a Amazônia brasileira como um espaço de cor diferente do restante do território nacional.
O território onde hoje é a Amazônia brasileira aparecia identificado como ZONA INTERNACIONAL DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL. Como se vê, há indícios a serem acompanhados de que o país está sendo vítima de uma grande empulhação. O fim último seria a internacionalização da Amazônia. Com a conivência de setores que estão no Governo, que teriam que engolir a manobra de ONGs manipuladas por interesses do hemisfério norte.
A matéria vale a pena ser lida para apreciação e reflexão sobre o futuro da integridade territorial e soberania do Brasil.
Amazônia já está ‘internacionalizada’, dizem ONGs
Carolina Glycerio
Da BBC Brasil em São Paulo
Preocupação global já teria ‘internacionalizado’ debate sobre o futuro da região
O debate sobre o futuro da Amazônia já está internacionalizado seja pela importância que ganhou a questão do aquecimento global ou pela atuação de multinacionais na região, dizem ambientalistas entrevistados pela BBC Brasil.
“O Brasil se incomoda porque sabe que não tem soberania plena. Sabe que se quiser desmatar tudo, vai ter problemas (com a comunidade internacional)”, afirma o pesquisador Paulo Barreto, do Imazon.
Ele cita como o exemplo o fato de qualquer acesso a crédito para projetos na Amazônia depender hoje de estudos sobre os impactos ambientais.
Além disso, diz Barreto, o próprio governo brasileiro tem interesse em mostrar ao mundo que é capaz de fazer uma boa gestão da Amazônia para conseguir levar adiante sua ambição de desempenhar um papel maior no cenário internacional.
“O Brasil quer se colocar como um ator importante em relação a temas internacionais e a Amazônia é uma questão crítica para o país ter esse posicionamento estratégico. A gente tem que demonstrar que cuida da Amazônia.”
Paulo Adário, do Greenpeace, argumenta que a economia da Amazônia é tão ou mais globalizada do que a de outras regiões já que os principais produtos da região - soja, madeira e carne - são commodities no mercado internacional.
“Só que quando esses setores vão para a mídia, eles não falam das multinacionais, falam das ONGs”, afirma Adário, ressaltando o fato de as maiores empresas da soja serem estrangeiras - Cargill, Bunge, ADM e Dreyfuss.
Barreto, do Imazon, diz não acreditar que essa internacionalização se traduza numa ocupação física, pelo menos não por enquanto.
“Não vejo nenhum plano de ocupar a Amazônia, pelo menos não no curto e médio prazo. Mas se o Brasil não cuidar da Amazônia, com uma política clara, imagino que possa haver no longo prazo.”
Para os dois pesquisadores, a polêmica em torno da compra de terras por estrangeiros na Amazônia e a preocupação quanto a ingerências internacionais na região são riscos marginais que estão sendo extrapolados pelo governo.
A lei atual restringe a aquisição ou exploração de terras por estrangeiros na chamada faixa de fronteira, faixa de 150 km de largura, paralela à linha divisória terrestre do território nacional.
Uma empresa com sede no Brasil e capital estrangeiro, porém, não estaria sujeita a essas restrições desde que 51% do capital pertença a brasileiros.

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