Em pronunciamento realizado ontem , em Brasília, na tribuna da Câmara Federal, o deputado federal Gladson Cameli defendeu a implantação de uma superintendência da Policia Rodoviária Federal(PRF) no Acre,único Estado onde a PRF não conta com autonomia administrativa e financeira, ficando inteiramente dependente da superintendência de Rondônia.
No discurso,o deputado acreano lembrou que a falta de uma superintendência impede a PRF/AC de colocar em operação até mesmos os postos de fiscalização implantados em Tucandeira, Assis Brasil e Xapuri, áreas de enorme necessidade de fiscalização e vigilância em virtude da proximidade da fronteira e alta volume de tráfego nas estradas.
O deputado aproveitou ainda a mobilização nacional dos policiais rodoviários federais no Congresso Nacional esta semana para solicitar também o aumento do contingente de agentes da PRF no Estado. “Atualmente a PRF conta somente com 38 servidores entre agentes e auxiliares administrativos. È claro que é um percentual insignificante para cobrir 1.539 km² das BR´s 317 e 364 em todo o Estado,atingindo ainda partes dos estados do Amazonas e Rondônia”,alegou.
Cameli pediu ainda a aquisição de maior número de viaturas para que a PRF/AC possa se mobilizar com maior rapidez e facilidade, já que para um Estado de quase 154 mil km² a PRF conta com apenas 4 viaturas..
Acreano de Cruzeiro do Sul, Cameli reivindicou também a instalação de uma agência da PRF/AC no município em virtude de se encontrar no extremo oeste do País e no final da BR 364 . “ A implantação de uma agência em Cruzeiro é estratégico para apoio as operações da PRF/AC ao longo de toda a 364.É vital para fiscalização e controle da rodovia,bem como ao combate do tráfico de drogas e contrabando”,insistiu.
O parlamentar destacou que já existe processo pra a instalação de uma superintendência da PRF no Acre ,mas o encaminhamento precisa ser mais rápido. No final do pronunciamento, Cameli elogiou a atuação dos agentes em que pese todas as limitações e dificuldades enfrentadas, e lembrou que a PRF/AC é vital para o atendimento aos acidentes, segurança e apoio ás comunidades que vivem ao longo da 364 e 317 em todo o Estado.
31 Agosto, 2007
Cadaxo aceita disputar prefeitura de RioBranco
O ex-presidente da Eletroacre Edílson Cadaxo anunciou neste domingo, em Cruzeiro do Sul, sua cidade natal, que será mesmo o candidato do PMDB à prefeitura de Crio Branco, em 2008. O comunicado foi feito no encontro regional do partido, reunindo lideranças políticas do Vale do Juruá e do Estado do Acre. Estavam presentes além de vereadores e pré-candidatos às prefeituras da região, o senador Geraldo Mesquita, o deputado federal Flaviano Melo e a deputada estadual Antônia Sales.
Edílson Cadaxo criticou o que chamou de obras de maquiagem na capital acreana, falou que elas são feitas através de empréstimos feitos pelo Governo do Estado, e serão pagas pelas populações de Feijó, Jordão, Marechal Thaumaturgo e outros municípios.
“Além a prefeitura agora está pegando R$ 90 milhões para endividar mais ainda a população de RioBranco e os recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) que virão para Rio Branco independe da prefeitura ser da Frente Popular, qualquer prefeito teria esse recurso”, declarou.
LIBERDADE DE IMPRENSA – O pré-candidato do PMDB à prefeitura da capital comentou que espera que a imprensa abra espaço para os candidatos da oposição divulgarem suas idéias porque, segundo ele, “no Acre quando se lê um jornal nem é preciso mais ler os outros, porque eles estão cheios de release (informações dirigidas) fornecidos pela Secretaria de Comunicação do Governo do Estado.
“Tomara que a imprensa, incluindo sites e bloges nos dêem um espaço, ninguém vai querer brigar, só queremos divulgar os nossos pensamentos, para que a sociedade decida livremente”, declarou.
Edílson Cadaxo criticou o que chamou de obras de maquiagem na capital acreana, falou que elas são feitas através de empréstimos feitos pelo Governo do Estado, e serão pagas pelas populações de Feijó, Jordão, Marechal Thaumaturgo e outros municípios.
“Além a prefeitura agora está pegando R$ 90 milhões para endividar mais ainda a população de RioBranco e os recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) que virão para Rio Branco independe da prefeitura ser da Frente Popular, qualquer prefeito teria esse recurso”, declarou.
LIBERDADE DE IMPRENSA – O pré-candidato do PMDB à prefeitura da capital comentou que espera que a imprensa abra espaço para os candidatos da oposição divulgarem suas idéias porque, segundo ele, “no Acre quando se lê um jornal nem é preciso mais ler os outros, porque eles estão cheios de release (informações dirigidas) fornecidos pela Secretaria de Comunicação do Governo do Estado.
“Tomara que a imprensa, incluindo sites e bloges nos dêem um espaço, ninguém vai querer brigar, só queremos divulgar os nossos pensamentos, para que a sociedade decida livremente”, declarou.
30 Agosto, 2007
BOM EXEMPLO - Guajará alimenta crianças desnutridas
Cerca de 200 crianças vem recebendo refeições noturnas diariamente há cerca de dois meses, no programa chamado Pão Nosso, no pequeno município amazonense de Guajará, distante cerca de 16 quilômetros de Cruzeiro do Sul (AC).
“A Secretaria de Ação Social tem se empenhado muito nesse programa porque ele é muito importante pra gente. Há crianças que agora já estão ganhando peso, e essa era a nossa maior preocupação, nutrir as crianças com boa refeição, com alimentação consistente principalmente no jantar, porque muitas delas dormiam sem comer”, conta o prefeito Samuel Farias.
Segundo Farias a idéia agora é ampliar o programa, mas para isso é preciso contar com a colaboração de pequenos empresários locais. Por enquanto o programa é mantido apenas com recursos da Prefeitura e com a participação de voluntários do município.
Há dois meses a Prefeitura serve sopa de carne, pão com carne, nasceu com biscoito, além de arroz e feijão. Para o prefeito, “o fundamental é que junto com esses ingredientes todos existe muito amor das voluntárias”.
As crianças que não podem comparecer ao refeitório da Secretaria de Ação Social, as mães comparecem e levam suas refeições. O nome Pão Nosso surgiu em referência à oração do Pai Nosso, ensinada por Jesus Cristo.
Completamente isolado de Manaus, capital amazonense, muitas famílias para sobreviver dependem da ajuda de programas com esse. Para os que estão desempregados ou só podiam viver da pesca e da caça cada vez mais escassa, muitas vezes a única esperança está nas ajudas governamentais.
“Essa semana entregamos mais de 150 novos cartões do Bolsa Família. Essas pessoas precisam ter renda pra viver um pouco melhor”, comemora o prefeito Samuel Farias.
“A Secretaria de Ação Social tem se empenhado muito nesse programa porque ele é muito importante pra gente. Há crianças que agora já estão ganhando peso, e essa era a nossa maior preocupação, nutrir as crianças com boa refeição, com alimentação consistente principalmente no jantar, porque muitas delas dormiam sem comer”, conta o prefeito Samuel Farias.
Segundo Farias a idéia agora é ampliar o programa, mas para isso é preciso contar com a colaboração de pequenos empresários locais. Por enquanto o programa é mantido apenas com recursos da Prefeitura e com a participação de voluntários do município.
Há dois meses a Prefeitura serve sopa de carne, pão com carne, nasceu com biscoito, além de arroz e feijão. Para o prefeito, “o fundamental é que junto com esses ingredientes todos existe muito amor das voluntárias”.
As crianças que não podem comparecer ao refeitório da Secretaria de Ação Social, as mães comparecem e levam suas refeições. O nome Pão Nosso surgiu em referência à oração do Pai Nosso, ensinada por Jesus Cristo.
Completamente isolado de Manaus, capital amazonense, muitas famílias para sobreviver dependem da ajuda de programas com esse. Para os que estão desempregados ou só podiam viver da pesca e da caça cada vez mais escassa, muitas vezes a única esperança está nas ajudas governamentais.
“Essa semana entregamos mais de 150 novos cartões do Bolsa Família. Essas pessoas precisam ter renda pra viver um pouco melhor”, comemora o prefeito Samuel Farias.
23 Agosto, 2007
Hansenianos
BRASÍLIA — O Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Mohan) em Rio Branco (AC) encaminhará, neste sábado, uma carta-proposta à Fundação Municipal de Cultura Garibaldi Brasil, pedindo o tombamento das Colônias Souza Araújo e Belo Jardim e das áreas no entorno delas. Nas vilas Santa Cecília e Albert Sampaio moram parentes de ex-internos dos preventórios.
Eles viveram ali, para permanecer mais próximos dos portadores da doença. Desde a década de 1920, a hanseníase mutilou muitas pessoas no Acre e em outras regiões amazônicas.
Maio de 2007 integrantes do Mohran de todo o País visitam o Congresso e pedem apoio à aprovação de Lei — ANTÔNIO SILVA “O Mohran saúda a iniciativa da Prefeitura de Rio Branco pelo debate e encaminhamento dessa iniciativa, porque ela tem a mais alta importância para o Estado do Acre”, afirmou hoje o voluntário Daniel da Silva Klein, autor do livro Bacurau. A publicação relata a vida dos hansenianos nesta parte da Amazônia.
Até 1874 a hanseníase era desconhecida nos meios científicos. Nesse ano o médico belga Hansen fez o achado microscópico do bacilo M.Leprae, que ataca terminações nervosas e compromete, até com lesões permanentes, a pele, os olhos e as vísceras da pessoa.
Estigma
A hanseníase não deixa seqüelas tão graves no paciente. O bacilo ataca a pessoa, anestesiando-a nas áreas atingidas. Assim, todo tipo de lesão nessas áreas pode causar ferimentos, que se não forem tratados se transformam em deficiências físicas. “O Mal de Hansen era uma epidemia em toda Amazônia. A população estigmatizava os atingidos pela hanseníase e, não raro, toda a sua família”, relata Daniel Silva.
Neste sábado, a Fundação Garibaldi Brasil promoverá uma conferência preparatória para votar a proposta do tombamento. “Felizmente, hoje não temos mais mutilados no Acre, e o momento é propício para o resgate da história de nossa gente”, disse à Agência Amazônia a ex-coordenadora e ativista do Centro de Defesa dos Direitos Humanos e Educação Popular (CDDHEP), Raimunda Bezerra. Ela participa, em Brasília, do Seminário do Movimento Nacional de Defesa dos Direitos Humanos.
500 internos
As colônias que abrigaram vítimas dessa doença chegaram a ter cerca de 500 internos em Rio Branco, na Colônia Souza Araújo, administrada pelas Irmãs Josefinas, e na Colônia Ernani Agrícola, em Cruzeiro do Sul. Atualmente, em Rio Branco há 25 pessoas na Souza Araújo e apenas uma em Cruzeiro do Sul.
Durante décadas, a política de isolamento compulsório imposta pelo extinto Departamento de Profilaxia da Lepra (DPL) exerceu coerção sobre as vítimas da doença. Ignorava-se formas de tratamento e cura da doença. Eram levadas para os preventórios, em verdadeiro exílio dentro da própria pátria.
“Essas pessoas que se submeteram a isolamento e internação compulsórios durante longos anos, agora, buscam dignidade e justiça”, afirmou o deputado Fernando Melo (PT-AC). Na próxima quarta-feira, ele e o deputado Sérgio Petecão (PMN-AC) visitarão a Colônia Souza Araújo.
Pensão especial
Hansenianos são agora reconhecidos após décadas de uma vida marcada pelo estigma da doença — REPÓRTER BRASIL O momento da reparação chegou. Na Câmara dos Deputados tramitou o Projeto de Lei nº 525, que dispõe sobre a concessão de pensão especial às pessoas atingidas pela hanseníase. Originou-se de outro, o de nº 206, de autoria do senador Tião Viana (PT-AC).
A matéria aguardava audiência pública no âmbito da Comissão de Seguridade Social e Família, a pedido do relator, deputado Pepe Vargas (PT-RS). Nem chegou a ter audiência.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a medida provisória 373, contemplando os hansenianos.
Medida Provisória nº 373, de 24 de maio de 2007.
Dispõe sobre a concessão de pensão especial às pessoas atingidas pela hanseníase e que foram submetidas a isolamento e internação compulsórios.
O Presidente da República, no uso da atribuição que lhe confere o art. 62 da Constituição, adota a seguinte Medida Provisória, com força de lei:
Art. 1o Fica o Poder Executivo autorizado a conceder pensão especial, mensal, vitalícia e intransferível, às pessoas atingidas pela hanseníase e que foram submetidas a isolamento e internação compulsórios em hospitais-colônia, até 31 de dezembro de 1986, que a requererem, a título de indenização especial, correspondente a R$ 750,00 (setecentos e cinqüenta reais).
§ 1o A pensão especial de que trata o caput é personalíssima, não sendo transmissível a dependentes e herdeiros, e será devida a partir da entrada em vigor desta Medida Provisória.
§ 2o O valor da pensão especial será reajustado anualmente, conforme os índices concedidos aos benefícios de valor superior ao piso do Regime Geral de Previdência Social.
§ 3o O requerimento referido no caput será endereçado ao Secretário Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, nos termos do regulamento.
§ 4o Caberá ao Instituto Nacional do Seguro Social - INSS o processamento, a manutenção e o pagamento da pensão, observado o art. 6o.
Art. 2o A pensão de que trata o art. 1o será concedida por meio de ato do Secretário Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, após parecer da Comissão referida no § 1o.
§ 1o Fica criada a Comissão Interministerial de Avaliação, com a atribuição de emitir parecer prévio sobre os requerimentos formulados com base no art. 1o, cuja composição, organização e funcionamento serão definidos em regulamento.
§ 2o Para a comprovação da situação do requerente, será admitida a ampla produção de prova documental e testemunhal, e, caso necessário, prova pericial.
§ 3o Na realização de suas atividades, a Comissão poderá promover as diligências que julgar convenientes, inclusive solicitar apoio técnico, documentos, pareceres e informações de órgãos da administração pública, assim como colher depoimentos de terceiros.
§ 4o As despesas referentes a diárias e passagens dos membros da Comissão correrão à conta das dotações orçamentárias dos órgãos a que pertencerem.
Art. 3o A pensão especial de que trata esta Medida Provisória, ressalvado o direito à opção, não é acumulável com indenizações que a União venha a pagar decorrentes de responsabilização civil sobre os mesmos fatos.
Parágrafo único. O recebimento da pensão especial não impede a fruição de qualquer benefício previdenciário.
Art. 4o O Ministério da Saúde, em articulação com os sistemas de saúde dos Estados e Municípios, implementará ações específicas em favor dos beneficiários da pensão especial de que trata esta Medida Provisória, voltadas à garantia de fornecimento de órteses, próteses e demais ajudas técnicas, bem como na realização de intervenções cirúrgicas e assistência à saúde por meio do Sistema Único de Saúde - SUS.
Art. 5o O Ministério da Saúde, o INSS e a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República poderão celebrar convênios, acordos, ajustes ou outros instrumentos que objetivem a cooperação com órgãos da administração pública e entidades privadas sem fins lucrativos, a fim de dar cumprimento ao disposto nesta Medida Provisória.
Art. 6o As despesas decorrentes desta Medida Provisória correrão à conta do Tesouro Nacional e constarão de programação orçamentária específica no orçamento do Ministério da Previdência Social.
Art. 7o Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 24 de maio de 2007; 186o da Independência e 119o da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Guido Mantega
José Gomes Temporão
Paulo Bernardo Silva
Luiz Marinho
Patrus Ananias
Dilma Rousseff
Eles viveram ali, para permanecer mais próximos dos portadores da doença. Desde a década de 1920, a hanseníase mutilou muitas pessoas no Acre e em outras regiões amazônicas.
Maio de 2007 integrantes do Mohran de todo o País visitam o Congresso e pedem apoio à aprovação de Lei — ANTÔNIO SILVA “O Mohran saúda a iniciativa da Prefeitura de Rio Branco pelo debate e encaminhamento dessa iniciativa, porque ela tem a mais alta importância para o Estado do Acre”, afirmou hoje o voluntário Daniel da Silva Klein, autor do livro Bacurau. A publicação relata a vida dos hansenianos nesta parte da Amazônia.
Até 1874 a hanseníase era desconhecida nos meios científicos. Nesse ano o médico belga Hansen fez o achado microscópico do bacilo M.Leprae, que ataca terminações nervosas e compromete, até com lesões permanentes, a pele, os olhos e as vísceras da pessoa.
Estigma
A hanseníase não deixa seqüelas tão graves no paciente. O bacilo ataca a pessoa, anestesiando-a nas áreas atingidas. Assim, todo tipo de lesão nessas áreas pode causar ferimentos, que se não forem tratados se transformam em deficiências físicas. “O Mal de Hansen era uma epidemia em toda Amazônia. A população estigmatizava os atingidos pela hanseníase e, não raro, toda a sua família”, relata Daniel Silva.
Neste sábado, a Fundação Garibaldi Brasil promoverá uma conferência preparatória para votar a proposta do tombamento. “Felizmente, hoje não temos mais mutilados no Acre, e o momento é propício para o resgate da história de nossa gente”, disse à Agência Amazônia a ex-coordenadora e ativista do Centro de Defesa dos Direitos Humanos e Educação Popular (CDDHEP), Raimunda Bezerra. Ela participa, em Brasília, do Seminário do Movimento Nacional de Defesa dos Direitos Humanos.
500 internos
As colônias que abrigaram vítimas dessa doença chegaram a ter cerca de 500 internos em Rio Branco, na Colônia Souza Araújo, administrada pelas Irmãs Josefinas, e na Colônia Ernani Agrícola, em Cruzeiro do Sul. Atualmente, em Rio Branco há 25 pessoas na Souza Araújo e apenas uma em Cruzeiro do Sul.
Durante décadas, a política de isolamento compulsório imposta pelo extinto Departamento de Profilaxia da Lepra (DPL) exerceu coerção sobre as vítimas da doença. Ignorava-se formas de tratamento e cura da doença. Eram levadas para os preventórios, em verdadeiro exílio dentro da própria pátria.
“Essas pessoas que se submeteram a isolamento e internação compulsórios durante longos anos, agora, buscam dignidade e justiça”, afirmou o deputado Fernando Melo (PT-AC). Na próxima quarta-feira, ele e o deputado Sérgio Petecão (PMN-AC) visitarão a Colônia Souza Araújo.
Pensão especial
Hansenianos são agora reconhecidos após décadas de uma vida marcada pelo estigma da doença — REPÓRTER BRASIL O momento da reparação chegou. Na Câmara dos Deputados tramitou o Projeto de Lei nº 525, que dispõe sobre a concessão de pensão especial às pessoas atingidas pela hanseníase. Originou-se de outro, o de nº 206, de autoria do senador Tião Viana (PT-AC).
A matéria aguardava audiência pública no âmbito da Comissão de Seguridade Social e Família, a pedido do relator, deputado Pepe Vargas (PT-RS). Nem chegou a ter audiência.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a medida provisória 373, contemplando os hansenianos.
Medida Provisória nº 373, de 24 de maio de 2007.
Dispõe sobre a concessão de pensão especial às pessoas atingidas pela hanseníase e que foram submetidas a isolamento e internação compulsórios.
O Presidente da República, no uso da atribuição que lhe confere o art. 62 da Constituição, adota a seguinte Medida Provisória, com força de lei:
Art. 1o Fica o Poder Executivo autorizado a conceder pensão especial, mensal, vitalícia e intransferível, às pessoas atingidas pela hanseníase e que foram submetidas a isolamento e internação compulsórios em hospitais-colônia, até 31 de dezembro de 1986, que a requererem, a título de indenização especial, correspondente a R$ 750,00 (setecentos e cinqüenta reais).
§ 1o A pensão especial de que trata o caput é personalíssima, não sendo transmissível a dependentes e herdeiros, e será devida a partir da entrada em vigor desta Medida Provisória.
§ 2o O valor da pensão especial será reajustado anualmente, conforme os índices concedidos aos benefícios de valor superior ao piso do Regime Geral de Previdência Social.
§ 3o O requerimento referido no caput será endereçado ao Secretário Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, nos termos do regulamento.
§ 4o Caberá ao Instituto Nacional do Seguro Social - INSS o processamento, a manutenção e o pagamento da pensão, observado o art. 6o.
Art. 2o A pensão de que trata o art. 1o será concedida por meio de ato do Secretário Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, após parecer da Comissão referida no § 1o.
§ 1o Fica criada a Comissão Interministerial de Avaliação, com a atribuição de emitir parecer prévio sobre os requerimentos formulados com base no art. 1o, cuja composição, organização e funcionamento serão definidos em regulamento.
§ 2o Para a comprovação da situação do requerente, será admitida a ampla produção de prova documental e testemunhal, e, caso necessário, prova pericial.
§ 3o Na realização de suas atividades, a Comissão poderá promover as diligências que julgar convenientes, inclusive solicitar apoio técnico, documentos, pareceres e informações de órgãos da administração pública, assim como colher depoimentos de terceiros.
§ 4o As despesas referentes a diárias e passagens dos membros da Comissão correrão à conta das dotações orçamentárias dos órgãos a que pertencerem.
Art. 3o A pensão especial de que trata esta Medida Provisória, ressalvado o direito à opção, não é acumulável com indenizações que a União venha a pagar decorrentes de responsabilização civil sobre os mesmos fatos.
Parágrafo único. O recebimento da pensão especial não impede a fruição de qualquer benefício previdenciário.
Art. 4o O Ministério da Saúde, em articulação com os sistemas de saúde dos Estados e Municípios, implementará ações específicas em favor dos beneficiários da pensão especial de que trata esta Medida Provisória, voltadas à garantia de fornecimento de órteses, próteses e demais ajudas técnicas, bem como na realização de intervenções cirúrgicas e assistência à saúde por meio do Sistema Único de Saúde - SUS.
Art. 5o O Ministério da Saúde, o INSS e a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República poderão celebrar convênios, acordos, ajustes ou outros instrumentos que objetivem a cooperação com órgãos da administração pública e entidades privadas sem fins lucrativos, a fim de dar cumprimento ao disposto nesta Medida Provisória.
Art. 6o As despesas decorrentes desta Medida Provisória correrão à conta do Tesouro Nacional e constarão de programação orçamentária específica no orçamento do Ministério da Previdência Social.
Art. 7o Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 24 de maio de 2007; 186o da Independência e 119o da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Guido Mantega
José Gomes Temporão
Paulo Bernardo Silva
Luiz Marinho
Patrus Ananias
Dilma Rousseff
21 Agosto, 2007
Ananias Pereira Lima era imprescindível
Há homens que lutam um dia, e são bons
Há outros que lutam um ano, e são melhores
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons
Porém há os que lutam toda a vida. Estes são os imprescindíveis.
Bertold Brecht
O dramaturgo alemão Bertold Brecht, que viveu entre 1898 e 1956, autor do poema acima, disse certa vez que é infeliz a nação que precisa de heróis. E desde os tempos de Caim e Abel, sabemos que somos infelizes, porque temos cometido barbaridades e convivido com essa infelicidade sem fim. Ao contrário do que sugeria o filósofo suiço Jean-Jacques Russeau, que viveu de 28 de Junho de 1712 a 2 de Julho de 1778, o homem é essencialmente mau. Daí o esforço das religiões em reabilitá-lo.
Por isso o delegado Ananias Pereira Lima era imprescindível. Ele não era só o delegado mais competente do Acre, como confessou seu chefe Antônio Monteiro. Ananias transcendia suas obrigações e nos seus gens deve haver algo da loucura dos antigos acreanos revolucionários. Contra tudo e contra todos, inclusive contra o mesmo secretário de Segurança, o nosso xerife atravessou a fronteira e trouxe de volta do Peru um taxista que se dizia seqüestrado por traficantes peruanos. Quase criou um conflito internacional. E depois, com a mesma desenvoltura alucinada, denunciou que a má execução da Lei Maria da Penha prejudica as mulheres que dependem dos seus maridos algozes para viver. Falta a essas mulheres apoio do Governo do Estado, apoio jurídico, apoio psicológico, explicou o corajoso servidor público.
Ananias Pereira Lima era uma grande avenida por onde trafegavam as mazelas de uma sociedade doente. Através da sua voz de locutor de futebol ia narrando aos jornalistas as elucidações para os crimes que investigava. Solucionou todos que investigou e morreu quando estava prestes a botar suas mãos no assassino da advogada no Igarapé Preto. Não sabemos se morreu por isso, mas morreu disso.
Por essa avenida chamada Ananias muitos que andavam às margens da lei viram a oportunidade de tentar reabilitar-se. O delegado era famoso pelos carões que dava àqueles que caíam em suas mãos. “Você quer matar o seu pai de tanto desgosto?”; “Você não tem vergonha de bater na mãe dos seus filhos? Na mulher que deixou tudo por que acreditava que você a amava?”, indagava sempre.
Não importava ao delegado o poder econômico do seu interlocutor. Ele não se curvava ao rico e nem pisava nos pobres. Dessa maneira era respeitado e amado por todos. Tentaram convence-lo a servir nas trincheiras da política, mas a sua política era servir a todos em campo aberto. Como verdadeiro líder de seus colegas policiais e do povo a que servia, certa vez desafiou o governador Jorge Viana a atender as demandas da área de segurança do Vale do Juruá, sempre tão carente.
Enfim, a religião e a política roubavam a cena da longa semana que teima em não terminar. A edição 71 viria recheada de eventos culturais. Em alguns momentos políticos e religiosos confundiam-se na procissão que encerrava o tradicional Novenário porque, ao contrário do que muitos supõem políticos também tem alma. Mas aproximou-se o final de semana. E aí... só tragédias.
Humildemente nos unimos aos leitores, amigos e parentes de nosso delegado, para na pequenez de nossa importância, sugerir à prefeita Zila Bezerra, aos vereadores e autoridades do Governo do Estado, que mudem o nome da Rua Rego Barros, que passa pela Delegacia Geral, para Rua Ananias Pereira Lima. Ali nosso herói viveu e morreu para a grandeza da nossa sociedade. Claro que ele não precisa de homenagens, mas nós, e a geração que vem depois de nós, precisamos tê-lo como referência para continuar nossa jornada. E porque o filhos de nosso amigo e os seus conterrâneos de Sena Madureira precisam saber da importância que esse homem teve para nós, no Vale do Juruá. Um homem imprescindível, como ensina Brecht.
Por isso o delegado Ananias Pereira Lima era imprescindível. Ele não era só o delegado mais competente do Acre, como confessou seu chefe Antônio Monteiro. Ananias transcendia suas obrigações e nos seus gens deve haver algo da loucura dos antigos acreanos revolucionários. Contra tudo e contra todos, inclusive contra o mesmo secretário de Segurança, o nosso xerife atravessou a fronteira e trouxe de volta do Peru um taxista que se dizia seqüestrado por traficantes peruanos. Quase criou um conflito internacional. E depois, com a mesma desenvoltura alucinada, denunciou que a má execução da Lei Maria da Penha prejudica as mulheres que dependem dos seus maridos algozes para viver. Falta a essas mulheres apoio do Governo do Estado, apoio jurídico, apoio psicológico, explicou o corajoso servidor público.
Ananias Pereira Lima era uma grande avenida por onde trafegavam as mazelas de uma sociedade doente. Através da sua voz de locutor de futebol ia narrando aos jornalistas as elucidações para os crimes que investigava. Solucionou todos que investigou e morreu quando estava prestes a botar suas mãos no assassino da advogada no Igarapé Preto. Não sabemos se morreu por isso, mas morreu disso.
Por essa avenida chamada Ananias muitos que andavam às margens da lei viram a oportunidade de tentar reabilitar-se. O delegado era famoso pelos carões que dava àqueles que caíam em suas mãos. “Você quer matar o seu pai de tanto desgosto?”; “Você não tem vergonha de bater na mãe dos seus filhos? Na mulher que deixou tudo por que acreditava que você a amava?”, indagava sempre.
Não importava ao delegado o poder econômico do seu interlocutor. Ele não se curvava ao rico e nem pisava nos pobres. Dessa maneira era respeitado e amado por todos. Tentaram convence-lo a servir nas trincheiras da política, mas a sua política era servir a todos em campo aberto. Como verdadeiro líder de seus colegas policiais e do povo a que servia, certa vez desafiou o governador Jorge Viana a atender as demandas da área de segurança do Vale do Juruá, sempre tão carente.
Enfim, a religião e a política roubavam a cena da longa semana que teima em não terminar. A edição 71 viria recheada de eventos culturais. Em alguns momentos políticos e religiosos confundiam-se na procissão que encerrava o tradicional Novenário porque, ao contrário do que muitos supõem políticos também tem alma. Mas aproximou-se o final de semana. E aí... só tragédias.
Humildemente nos unimos aos leitores, amigos e parentes de nosso delegado, para na pequenez de nossa importância, sugerir à prefeita Zila Bezerra, aos vereadores e autoridades do Governo do Estado, que mudem o nome da Rua Rego Barros, que passa pela Delegacia Geral, para Rua Ananias Pereira Lima. Ali nosso herói viveu e morreu para a grandeza da nossa sociedade. Claro que ele não precisa de homenagens, mas nós, e a geração que vem depois de nós, precisamos tê-lo como referência para continuar nossa jornada. E porque o filhos de nosso amigo e os seus conterrâneos de Sena Madureira precisam saber da importância que esse homem teve para nós, no Vale do Juruá. Um homem imprescindível, como ensina Brecht.
19 Agosto, 2007
Delegado é baleado na própria Delegacia
O delegado da Polícia Civil Ananias Pereira morreu ao entardecer desse domingo (19), com um tiro à queima-roupa na altura do ouvido esquerdo, em seu gabinete na Delegacia Geral de Cruzeiro do Sul. Seu corpo é velado na Câmara Municipal do município. A morte ocorreu na presença de Marinês, testemunha no caso da advogada Isabel Rebouça da Rocha, morta no Igarapé Preto, sábado, e do advogado Sebastião Cássio Lima, há cerca de seis meses morando na cidade.
Os peritos foram chamados à Delegacia, mas as investigações ainda dependem de exames mais detalhados para apurar a respeito da presença de pólvora nas mãos do delegado e das pessoas que estavam com ele no momento do disparo. Cerca de três horas após a morte de Ananias Pereira ainda não era possível determinar se tratava-se de suicídio, disparo acidental do próprio delegado, ou homicídio.
“Ninguém sabe ao certo o que aconteceu, a gente ainda vai conversar com as pessoas que estavam em companhia dele na hora do disparo, que foi feito com a sua arma particular”, declarou o delegado José Henrique, que está na cidade há dois meses. Ele explicou que até que as coisas sejam esclarecidas, Sebastião Cássio e Marinês são suspeitos da morte do delegado.
O delegado contou que a versão que ouviu do advogado e da mulher é que Ananias estaria interrogando Marinês, empregada de Isabel Rebouça da Rocha, em Manaus. Ele queria saber se Márcio Rocha da Silva, empresário casado com Isabel, tinha arma de fogo em casa. Em algum momento ele estaria fazendo uma simulação e arma teria disparado.
Uma multidão formou-se rapidamente no local e a Polícia Militar isolou a área para evitar a presença de curiosos. A testemunha do caso da advogada e o advogado da família de Isabel foram levados para o quartel da Polícia Militar de Cruzeiro do Sul.
José Henrique informou que o Secretário de Segurança Antônio Monteiro chega segunda feira (19) com uma equipe de investigadores da capital para apurar com detalhes a morte de um de seus mais competentes delegados. Ananias Pereira conseguiu conquistar toda a população do Vale do Juruá por causa de seu carisma e competência. Diversas vezes foi sondado para entrar para a política por causa da liderança que exercia sobre seus amigos de trabalho.
INVESTIGAÇÃO - Os policiais que trabalhavam com Ananias Pereira na Delegacia Geral contaram que quando ele chegou à Delegacia declarou que nesse domingo mesmo resolveria o caso da morte de Isabel Rebouça no Igarapé Preto. O delegado orgulhava-se de ter resolvido todos os crimes que investigou no Vale do Juruá.
Alguns amigos revelaram que Ananias tinha como principal suspeito do crime no Igarapé Preto o empresário Márcio Rocha da Silva, de 25 anos, que passava as férias com a advogada em Cruzeiro do Sul. A Polícia Técnica revelou que ela foi morta por estrangulamento. Seu corpo foi encontrado despido, com cordões, anéis e brincos de ouro. Em seu depoimento poucas horas antes da morte do delegado, Márcio teria dito que teria ido para casa e deixado a mulher no Igarapé Preto, na madrugada de sexta para sábado.
Isabel era advogada, mas trabalhava na Secretaria de Fazenda em Manaus. Ela deixou dois filhos do primeiro casamento e um filho de três anos que tivera com Márcio que, segundo testemunhas, é seu sobrinho. Márcio, filho do policial João Batista da Silva, o João Pequeno, que trabalha na penal e de Cely, também policial lotada na Furepol, estaria vivendo com Isabel há pelo menos cinco anos. A polícia investiga ainda para saber se são verdadeiras as informações que dizem que a advogada teria deixado ainda uma mansão na capital amazonense no valor estimado em R$ 1,5 milhão, além de um seguro no valor de R$ 800 mil.
Os peritos foram chamados à Delegacia, mas as investigações ainda dependem de exames mais detalhados para apurar a respeito da presença de pólvora nas mãos do delegado e das pessoas que estavam com ele no momento do disparo. Cerca de três horas após a morte de Ananias Pereira ainda não era possível determinar se tratava-se de suicídio, disparo acidental do próprio delegado, ou homicídio.
“Ninguém sabe ao certo o que aconteceu, a gente ainda vai conversar com as pessoas que estavam em companhia dele na hora do disparo, que foi feito com a sua arma particular”, declarou o delegado José Henrique, que está na cidade há dois meses. Ele explicou que até que as coisas sejam esclarecidas, Sebastião Cássio e Marinês são suspeitos da morte do delegado.
O delegado contou que a versão que ouviu do advogado e da mulher é que Ananias estaria interrogando Marinês, empregada de Isabel Rebouça da Rocha, em Manaus. Ele queria saber se Márcio Rocha da Silva, empresário casado com Isabel, tinha arma de fogo em casa. Em algum momento ele estaria fazendo uma simulação e arma teria disparado.
Uma multidão formou-se rapidamente no local e a Polícia Militar isolou a área para evitar a presença de curiosos. A testemunha do caso da advogada e o advogado da família de Isabel foram levados para o quartel da Polícia Militar de Cruzeiro do Sul.
José Henrique informou que o Secretário de Segurança Antônio Monteiro chega segunda feira (19) com uma equipe de investigadores da capital para apurar com detalhes a morte de um de seus mais competentes delegados. Ananias Pereira conseguiu conquistar toda a população do Vale do Juruá por causa de seu carisma e competência. Diversas vezes foi sondado para entrar para a política por causa da liderança que exercia sobre seus amigos de trabalho.
INVESTIGAÇÃO - Os policiais que trabalhavam com Ananias Pereira na Delegacia Geral contaram que quando ele chegou à Delegacia declarou que nesse domingo mesmo resolveria o caso da morte de Isabel Rebouça no Igarapé Preto. O delegado orgulhava-se de ter resolvido todos os crimes que investigou no Vale do Juruá.
Alguns amigos revelaram que Ananias tinha como principal suspeito do crime no Igarapé Preto o empresário Márcio Rocha da Silva, de 25 anos, que passava as férias com a advogada em Cruzeiro do Sul. A Polícia Técnica revelou que ela foi morta por estrangulamento. Seu corpo foi encontrado despido, com cordões, anéis e brincos de ouro. Em seu depoimento poucas horas antes da morte do delegado, Márcio teria dito que teria ido para casa e deixado a mulher no Igarapé Preto, na madrugada de sexta para sábado.
Isabel era advogada, mas trabalhava na Secretaria de Fazenda em Manaus. Ela deixou dois filhos do primeiro casamento e um filho de três anos que tivera com Márcio que, segundo testemunhas, é seu sobrinho. Márcio, filho do policial João Batista da Silva, o João Pequeno, que trabalha na penal e de Cely, também policial lotada na Furepol, estaria vivendo com Isabel há pelo menos cinco anos. A polícia investiga ainda para saber se são verdadeiras as informações que dizem que a advogada teria deixado ainda uma mansão na capital amazonense no valor estimado em R$ 1,5 milhão, além de um seguro no valor de R$ 800 mil.
PTN lança Josa da Farmácia para prefeito
Filiados e lideranças do Partido Trabalhista Nacional (PTN) reuniram-se no diretório localizado na Avenida Lauro Muller, para discutir filiações e a pré-candidatura do empresário Josa da Farmácia (foto), para a prefeitura de Cruzeiro do Sul.
"Não dá pra dizer que é um lançamento da pré-candidatura, mas o Josa têm boa vontade e quer ser candidato a prefeito. Se depender do PTN eu tenho certeza que ele será o nosso candidato. O partido não têm compromisso com outra pessoa em Cruzeiro do Sul", comenta o deputado Zé Carlos, o único político com mandato pelo partido no estado.
Zé Carlos diz que além de lançar um candidato a prefeito em Cruzeiro do Sul, a intenção do partido é apresentar mais dois pré-candidatos à vice-prefeito para concorrer em Xapuri e Epitáciolândia, e apresentar o maior número possível de candidatos a vereadores em todo estado.
Na opinião do vice-presidente do partido no estado, Francimar Asfury, o "Josa é um grande nome e será aceito pela população por ter um passado limpo. Com a atual política do estado está meio complicado, são tantos nomes sujos passando por momentos difíceis e um jovem do nível do Josa é a melhor opção para os cruzeirenses em 2008", afirma.
Josa da Farmácia, disse que colocará o nome à disposição da população. Na opinião dele administrar um município como Cruzeiro do Sul não tem mistério. "Aqui falta tudo, mas o problema é a desonestidade e os maus políticos. Por isso temos muito que oferecer", finaliza.
18 Agosto, 2007
TAF quer voar para o Juruá
O comandante Ariston, proprietário da TAF procurou o deputado federal pelo Acre, Gladson Cameli (PP-AC), e manifestou o interesse em voar para Cruzeiro do Sul, passando por Rio Branco. Atualmente o trecho é feito pela Gol Linhas Aéreas, que baixou os preços das passagens para R$ 130,00, obrigando a Rico Linhas Aéreas a suspender os seus vôos.
A Gol, contudo, vem enfrentando grande resistência da população e de políticos que tem suas bases políticas no Vale do Juruá, onde está a cidade de Cruzeiro do Sul, segunda maior do Acre. A empresa recusa-se a transportar os pacientes da região que precisam ser atendidos na capital, Rio Branco, o que vem gerando enorme insatisfação, já que na maior parte do tempo a parte ocidental do Acre fica isolada do resto do país, uma vez que a única ligação terrestre, a BR-364 ainda não oferece condições de tráfego durante o inverno chuvoso da Amazônia.
O deputado Gladson Cameli prometeu aos executivos da TAF encaminhar a solicitação da companhia aos demais parlamentares da bancada acreana, liderada pela deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB-AC).
De acordo com Cameli, Ariston afirmou que a TAF, que opera com boeing 737-300 não teria problema para transportar pacientes e cargas. Dedicada ao mercado corporativo, a TAF cresceu nos últimos anos e parte para novos segmentos da aviação brasileira, como o transporte de cargas e o transporte comercial de passageiros em aviões de grande porte.
A TAF Linhas Aéreas S/A foi constituída em 1995, teve sua origem no Táxi Aéreo Fortaleza criado há cerca de 50 anos pelas mãos do seu fundador, o Cmte. Ariston. Hoje voa para várias cidades brasileiras, Caribe e Estados Unidos.
A Gol, contudo, vem enfrentando grande resistência da população e de políticos que tem suas bases políticas no Vale do Juruá, onde está a cidade de Cruzeiro do Sul, segunda maior do Acre. A empresa recusa-se a transportar os pacientes da região que precisam ser atendidos na capital, Rio Branco, o que vem gerando enorme insatisfação, já que na maior parte do tempo a parte ocidental do Acre fica isolada do resto do país, uma vez que a única ligação terrestre, a BR-364 ainda não oferece condições de tráfego durante o inverno chuvoso da Amazônia.
O deputado Gladson Cameli prometeu aos executivos da TAF encaminhar a solicitação da companhia aos demais parlamentares da bancada acreana, liderada pela deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB-AC).
De acordo com Cameli, Ariston afirmou que a TAF, que opera com boeing 737-300 não teria problema para transportar pacientes e cargas. Dedicada ao mercado corporativo, a TAF cresceu nos últimos anos e parte para novos segmentos da aviação brasileira, como o transporte de cargas e o transporte comercial de passageiros em aviões de grande porte.
A TAF Linhas Aéreas S/A foi constituída em 1995, teve sua origem no Táxi Aéreo Fortaleza criado há cerca de 50 anos pelas mãos do seu fundador, o Cmte. Ariston. Hoje voa para várias cidades brasileiras, Caribe e Estados Unidos.
Temporal assusta Cruzeiro do Sul

Um forte temporal com ventos de aproximadamente 60 quilômetros por hora castigou a cidade de Cruzeiro do Sul na tarde de quinta-feira. O vento simplesmente retorceu as ferragens e levantou o telhado da obra que viria o novo Mercado Rosemiro Alves, destinado à venda de verdura, ao lado do Samambaia. E derrubou e arrebentou fiações, danificando pelo menos três carros estacionados nas proximidades. Não houve registro de vítimas. Os bombeiros isolaram a área, desligaram a rede elétrica, e fizeram vistorias detalhadas para inteirar-se da gravidade da situação. A cidade permaneceu sem energia elétrica por cerca de quatro horas.
A chuva acompanhada de vento forte caiu por volta de 15:30 da tarde. Vários comércios ficaram alagados no centro da cidade, além do rastro de destruição presenciado no Mercado Rosemiro Alves, antigo mercado da verdura que está passando por uma reforma. A cobertura segura com uma armadura de ferro foi arremessada na direção do mercado do agricultor, apesar do local ser bastante movimentado segundo testemunhas apenas uma criança e uma mulher tiveram ferimentos leves.
Adalberto da Silva Galvão, que passava pelo local ajudou a retirar as pessoas para que não morressem embaixo dos escombros. “Achei que a chuva estava muito forte, pensei que o mundo ia acabar com aquele vendaval todo, e aí entrei embaixo das ferragens e ainda retirei uma mulher, ferida nos joelhos, e uma criança. Pra mim foi um milagre. Deus mandou essa chuva e permitiu que as pessoas saíssem rapidamente para outra construção para que não morresse tanta gente”, explicou.
Homens do Corpo de Bombeiros chegaram rapidamente ao local, sob o comando do tenente James Cley.
“Entramos em contato com a Eletroacre e pedimos para que a energia fosse desligada. Fizemos uma vistoria embaixo dos escombros para verificar se tinha alguma vítima. Essa área permanece interditada até que a Prefeitura retire todos os escombros e a rede elétrica só será religada após a troca dos postes”, informou.
Aparentemente os danos a terceiros não foram muito severos, quatro carros e uma moto tiveram pequenas avarias.
“Poderia ter havido um curto-circuito e um incêndio, mas graças a Deus isso não aconteceu. Quando vi a ventania fiquei preocupado porque nossa cidade não está preparada para ventanias como essa”, relata o comandante dos bombeiros.
Para o vendedor Laucimar Souza, a Prefeitura deve ser responsabilizada pelos estragos ocorridos no local. “O vento rasgou a lona e saiu carregando a mercadoria de tudo que foi jeito. A prefeitura colocou as pessoas num buraco, nós vamos procurar o Ministério Público e aguardar pra ver o que a prefeitura vai fazer, porque aqui são serve nem pra suíno. Nem bainheiro tem aqui. Teve gente que perdeu a mercadoria toda”, exclamou
A chuva acompanhada de vento forte caiu por volta de 15:30 da tarde. Vários comércios ficaram alagados no centro da cidade, além do rastro de destruição presenciado no Mercado Rosemiro Alves, antigo mercado da verdura que está passando por uma reforma. A cobertura segura com uma armadura de ferro foi arremessada na direção do mercado do agricultor, apesar do local ser bastante movimentado segundo testemunhas apenas uma criança e uma mulher tiveram ferimentos leves.
Adalberto da Silva Galvão, que passava pelo local ajudou a retirar as pessoas para que não morressem embaixo dos escombros. “Achei que a chuva estava muito forte, pensei que o mundo ia acabar com aquele vendaval todo, e aí entrei embaixo das ferragens e ainda retirei uma mulher, ferida nos joelhos, e uma criança. Pra mim foi um milagre. Deus mandou essa chuva e permitiu que as pessoas saíssem rapidamente para outra construção para que não morresse tanta gente”, explicou.
Homens do Corpo de Bombeiros chegaram rapidamente ao local, sob o comando do tenente James Cley.
“Entramos em contato com a Eletroacre e pedimos para que a energia fosse desligada. Fizemos uma vistoria embaixo dos escombros para verificar se tinha alguma vítima. Essa área permanece interditada até que a Prefeitura retire todos os escombros e a rede elétrica só será religada após a troca dos postes”, informou.
Aparentemente os danos a terceiros não foram muito severos, quatro carros e uma moto tiveram pequenas avarias.
“Poderia ter havido um curto-circuito e um incêndio, mas graças a Deus isso não aconteceu. Quando vi a ventania fiquei preocupado porque nossa cidade não está preparada para ventanias como essa”, relata o comandante dos bombeiros.
Para o vendedor Laucimar Souza, a Prefeitura deve ser responsabilizada pelos estragos ocorridos no local. “O vento rasgou a lona e saiu carregando a mercadoria de tudo que foi jeito. A prefeitura colocou as pessoas num buraco, nós vamos procurar o Ministério Público e aguardar pra ver o que a prefeitura vai fazer, porque aqui são serve nem pra suíno. Nem bainheiro tem aqui. Teve gente que perdeu a mercadoria toda”, exclamou
15 Agosto, 2007
Henrique Afonso enfrenta Funai e antropólogos contra a morte de crianças em aldeias indígenas

Henrique Afonso é um deputado federal do qual o povo acreano e o país podem se orgulhar.
A Revista Veja destacou sua luta em favor da vida. Leia o texto abaixo e tire suas próprias concluões.
Legenda: Kassiuma convenceu a aldeia a deixa-la tratar sua filha Tititu, ao invés de matá-la
Vida brasileira
Crimes na floresta
Muitas tribos brasileiras ainda matam crianças
- e a Funai nada faz para impedir o infanticídio
Leonardo Coutinho
Fotos Photoon e arquivo pessoal
A índia Hakani, em dois momentos. Ao lado, abraça a mãe adotiva, Márcia, no seu aniversário de 12 anos. Acima, aos 5, em sua tribo: altura e peso de 7 meses
A fotografia acima foi tirada numa festa de aniversário realizada em 7 de julho em Brasília. Para comemorar os seus 12 anos, a menina Hakani pediu a sua mãe adotiva, Márcia Suzuki, que decorasse a mesa do bolo com figuras do desenho animado Happy Feet. O presente de que ela mais gostou foi um boneco de Mano, protagonista do filme. Mano é um pingüim que não sabe cantar, ao contrário de seus companheiros. Em vez de cantar, dança. Por isso, é rejeitado por seus pais. A história de Hakani também traz as marcas de uma rejeição. Nascida em 1995, na tribo dos índios suruuarrás, que vivem semi-isolados no sul do Amazonas, Hakani foi condenada à morte quando completou 2 anos, porque não se desenvolvia no mesmo ritmo das outras crianças. Escalados para ser os carrascos, seus pais prepararam o timbó, um veneno obtido a partir da maceração de um cipó. Mas, em vez de cumprirem a sentença, ingeriram eles mesmos a substância.
O duplo suicídio enfureceu a tribo, que pressionou o irmão mais velho de Hakani, Aruaji, então com 15 anos, a cumprir a tarefa. Ele atacou-a com um porrete. Quando a estava enterrando, ouviu-a chorar. Aruaji abriu a cova e retirou a irmã. Ao ver a cena, Kimaru, um dos avôs, pegou seu arco e flechou a menina entre o ombro e o peito. Tomado de remorso, o velho suruuarrá também se suicidou com timbó. A flechada, no entanto, não foi suficiente para matar a menina. Seus ferimentos foram tratados às escondidas pelo casal de missionários protestantes Márcia e Edson Suzuki, que tentavam evangelizar os suruuarrás. Eles apelaram à tribo para que deixasse Hakani viver. A menina, então, passou a dormir ao relento e comer as sobras que encontrava pelo chão. "Era tratada como um bicho", diz Márcia. Muito fraca, ela já contava 5 anos quando a tribo autorizou os missionários a levá-la para o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, em São Paulo. Com menos de 7 quilos e 69 centímetros, Hakani tinha a compleição de um bebê de 7 meses. Os médicos descobriram que o atraso no seu desenvolvimento se devia ao hipotireoidismo, um distúrbio contornável por meio de remédios.
Marcia Suzuki
Kasiuma e sua filha Tititu: ela convenceu a tribo a tratar a filha hermafrodita, em vez de matá-la
Márcia e Edson Suzuki conseguiram adotar a indiazinha. Graças a seu empenho, o hipotireoidismo foi controlado, mas os maus-tratos e a desnutrição deixaram seqüelas. Aos 12 anos, Hakani mede 1,20 metro, altura equivalente à de uma criança de 7 anos. Como os suruuarrás a ignoravam, só viria a aprender a falar na convivência com os brancos. Ela pronunciou as primeiras palavras aos 8 anos. Hoje, tem problemas de dicção, que tenta superar com a ajuda de uma fonoaudióloga. Um psicólogo recomendou que ela não fosse matriculada na escola enquanto não estivesse emocionalmente apta a enfrentar outras crianças. Hakani foi alfabetizada em casa pela mãe adotiva. Neste ano, o psicólogo autorizou seu ingresso na 2ª série do ensino fundamental.
A história da adoção é um capítulo à parte. Mostra como o relativismo pode ser perverso. Logo que retiraram Hakani da aldeia, os Suzuki solicitaram autorização judicial para adotá-la. O processo ficou cinco anos emperrado na Justiça do Amazonas, porque o antropólogo Marcos Farias de Almeida, do Ministério Público, deu um parecer negativo à adoção. No seu laudo, o antropólogo acusou os missionários de ameaçar a cultura suruuarrá ao impedir o assassinato de Hakani. Disse que semelhante barbaridade era "uma prática cultural repleta de significados".
Ao contrário do que acredita o antropólogo Almeida, os índios da tribo não decidem sempre da mesma forma. Em 2003, a suruuarrá Muwaji deu à luz uma menina, Iganani, com paralisia cerebral. A aldeia exigiu que ela fosse morta. Muwaji negou-se a executá-la e conseguiu que a tribo autorizasse seu tratamento em Manaus. Médicos da capital amazonense concluíram que o melhor seria encaminhar Iganani para Brasília. Antes disso, porém, foi necessário driblar a Fundação Nacional do Índio (Funai). O órgão vetou sua transferência com o argumento de que um índio isolado não poderia viver na civilização. Só voltou atrás quando o caso foi denunciado à imprensa. Agora, Iganani passa três meses por ano em Brasília. Aos 4 anos, consegue caminhar com o auxílio de um andador. Estaria melhor se a Funai permitisse que ela morasse continuamente em Brasília. Há dois anos, os suruuarrás voltaram a enfrentar uma mãe que se recusava a matar a filha hermafrodita, Tititu. A tribo consentiu que a menina fosse tratada por brancos. Em São Paulo, ela passou por uma cirurgia corretora. Sem a anomalia, Tititu foi finalmente aceita pela aldeia.
Fotos Photton
À esquerda, Amalé, sobrevivente de uma tribo que fez pose para a BBC. À direita, a deficiente Iganani com a mãe, Muwaji, que se negou a envenená-la
O infanticídio é comum em determinadas espécies animais. É uma forma de selecionar os mais aptos. Quando têm gêmeos, os sagüis matam um dos filhotes. Chimpanzés e gorilas abandonam as crias defeituosas. Também era uma prática recorrente em civilizações de séculos atrás. Em Esparta, cidade-estado da Grécia antiga que primava pela organização militar de sua sociedade, o infanticídio servia para eliminar aqueles meninos que não renderiam bons soldados. Um dos seus mais brilhantes generais, Leônidas entrou para a história por ter liderado a resistência heróica dos Trezentos de Esparta no desfiladeiro de Termópilas, diante do Exército persa, em 480 a.C. Segundo o historiador Heródoto, Leônidas teria sido salvo do sacrifício apesar de ter um pequeno defeito em um dos dedos da mão porque o sacerdote encarregado da triagem pressentiu o grande futuro que o bebê teria.
Entre os índios brasileiros, o infanticídio foi sendo abolido à medida que se aculturavam. Mas ele resiste, principalmente, em tribos remotas - e com o apoio de antropólogos e a tolerância da Funai. É praticado por, no mínimo, treze etnias nacionais. Um dos poucos levantamentos realizados sobre o assunto é da Fundação Nacional de Saúde. Ele contabilizou as crianças mortas entre 2004 e 2006 apenas pelos ianomâmis: foram 201. Mesmo índios mais próximos dos brancos ainda praticam o infanticídio. Os camaiurás, que vivem em Mato Grosso, adoram exibir o lado mais vistoso de sua cultura. Em 2005, a tribo recebeu dinheiro da BBC para permitir que lutadores de judô e jiu-jítsu disputassem com seus jovens guerreiros a luta huka-huka, parte integrante do ritual do Quarup, em frente às câmeras da TV inglesa. Um ano antes, porém, sem alarde, os camaiurás enterraram vivo o menino Amalé, nascido de uma mãe solteira. Ele foi desenterrado às escondidas por outra índia, que, depois de muita insistência, teve permissão dos chefes da tribo para adotá-lo.
Há três meses, o deputado Henrique Afonso (PT-AC) apresentou um projeto de lei que prevê pena de um ano e seis meses para o "homem branco" que não intervier para salvar crianças indígenas condenadas à morte. O projeto classifica a tolerância ao infanticídio como omissão de socorro e afirma que o argumento de "relativismo cultural" fere o direito à vida, garantido pela Constituição. "O Brasil condena a mutilação genital de mulheres na África, mas permite a violação dos direitos humanos nas aldeias. Aqui, só é crime infanticídio de branco", diz Afonso. Ao longo de três semanas, VEJA esperou por uma declaração da Funai sobre o projeto do deputado e as histórias que aparecem nesta reportagem. A fundação não o fez e não justificou sua omissão. Extra-oficialmente, seus antropólogos apelam para o argumento absurdo da preservação da cultura indígena. A Funai deveria ouvir a índia Débora Tan Huare, que representa 165 etnias na Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira: "Nossa cultura não é estável nem é violência corrigir o que é ruim. Violência é continuar permitindo que crianças sejam mortas".
Crimes na floresta
Muitas tribos brasileiras ainda matam crianças
- e a Funai nada faz para impedir o infanticídio
Leonardo Coutinho
Fotos Photoon e arquivo pessoal
A índia Hakani, em dois momentos. Ao lado, abraça a mãe adotiva, Márcia, no seu aniversário de 12 anos. Acima, aos 5, em sua tribo: altura e peso de 7 meses
A fotografia acima foi tirada numa festa de aniversário realizada em 7 de julho em Brasília. Para comemorar os seus 12 anos, a menina Hakani pediu a sua mãe adotiva, Márcia Suzuki, que decorasse a mesa do bolo com figuras do desenho animado Happy Feet. O presente de que ela mais gostou foi um boneco de Mano, protagonista do filme. Mano é um pingüim que não sabe cantar, ao contrário de seus companheiros. Em vez de cantar, dança. Por isso, é rejeitado por seus pais. A história de Hakani também traz as marcas de uma rejeição. Nascida em 1995, na tribo dos índios suruuarrás, que vivem semi-isolados no sul do Amazonas, Hakani foi condenada à morte quando completou 2 anos, porque não se desenvolvia no mesmo ritmo das outras crianças. Escalados para ser os carrascos, seus pais prepararam o timbó, um veneno obtido a partir da maceração de um cipó. Mas, em vez de cumprirem a sentença, ingeriram eles mesmos a substância.
O duplo suicídio enfureceu a tribo, que pressionou o irmão mais velho de Hakani, Aruaji, então com 15 anos, a cumprir a tarefa. Ele atacou-a com um porrete. Quando a estava enterrando, ouviu-a chorar. Aruaji abriu a cova e retirou a irmã. Ao ver a cena, Kimaru, um dos avôs, pegou seu arco e flechou a menina entre o ombro e o peito. Tomado de remorso, o velho suruuarrá também se suicidou com timbó. A flechada, no entanto, não foi suficiente para matar a menina. Seus ferimentos foram tratados às escondidas pelo casal de missionários protestantes Márcia e Edson Suzuki, que tentavam evangelizar os suruuarrás. Eles apelaram à tribo para que deixasse Hakani viver. A menina, então, passou a dormir ao relento e comer as sobras que encontrava pelo chão. "Era tratada como um bicho", diz Márcia. Muito fraca, ela já contava 5 anos quando a tribo autorizou os missionários a levá-la para o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, em São Paulo. Com menos de 7 quilos e 69 centímetros, Hakani tinha a compleição de um bebê de 7 meses. Os médicos descobriram que o atraso no seu desenvolvimento se devia ao hipotireoidismo, um distúrbio contornável por meio de remédios.
Marcia Suzuki
Kasiuma e sua filha Tititu: ela convenceu a tribo a tratar a filha hermafrodita, em vez de matá-la
Márcia e Edson Suzuki conseguiram adotar a indiazinha. Graças a seu empenho, o hipotireoidismo foi controlado, mas os maus-tratos e a desnutrição deixaram seqüelas. Aos 12 anos, Hakani mede 1,20 metro, altura equivalente à de uma criança de 7 anos. Como os suruuarrás a ignoravam, só viria a aprender a falar na convivência com os brancos. Ela pronunciou as primeiras palavras aos 8 anos. Hoje, tem problemas de dicção, que tenta superar com a ajuda de uma fonoaudióloga. Um psicólogo recomendou que ela não fosse matriculada na escola enquanto não estivesse emocionalmente apta a enfrentar outras crianças. Hakani foi alfabetizada em casa pela mãe adotiva. Neste ano, o psicólogo autorizou seu ingresso na 2ª série do ensino fundamental.
A história da adoção é um capítulo à parte. Mostra como o relativismo pode ser perverso. Logo que retiraram Hakani da aldeia, os Suzuki solicitaram autorização judicial para adotá-la. O processo ficou cinco anos emperrado na Justiça do Amazonas, porque o antropólogo Marcos Farias de Almeida, do Ministério Público, deu um parecer negativo à adoção. No seu laudo, o antropólogo acusou os missionários de ameaçar a cultura suruuarrá ao impedir o assassinato de Hakani. Disse que semelhante barbaridade era "uma prática cultural repleta de significados".
Ao contrário do que acredita o antropólogo Almeida, os índios da tribo não decidem sempre da mesma forma. Em 2003, a suruuarrá Muwaji deu à luz uma menina, Iganani, com paralisia cerebral. A aldeia exigiu que ela fosse morta. Muwaji negou-se a executá-la e conseguiu que a tribo autorizasse seu tratamento em Manaus. Médicos da capital amazonense concluíram que o melhor seria encaminhar Iganani para Brasília. Antes disso, porém, foi necessário driblar a Fundação Nacional do Índio (Funai). O órgão vetou sua transferência com o argumento de que um índio isolado não poderia viver na civilização. Só voltou atrás quando o caso foi denunciado à imprensa. Agora, Iganani passa três meses por ano em Brasília. Aos 4 anos, consegue caminhar com o auxílio de um andador. Estaria melhor se a Funai permitisse que ela morasse continuamente em Brasília. Há dois anos, os suruuarrás voltaram a enfrentar uma mãe que se recusava a matar a filha hermafrodita, Tititu. A tribo consentiu que a menina fosse tratada por brancos. Em São Paulo, ela passou por uma cirurgia corretora. Sem a anomalia, Tititu foi finalmente aceita pela aldeia.
Fotos Photton
À esquerda, Amalé, sobrevivente de uma tribo que fez pose para a BBC. À direita, a deficiente Iganani com a mãe, Muwaji, que se negou a envenená-la
O infanticídio é comum em determinadas espécies animais. É uma forma de selecionar os mais aptos. Quando têm gêmeos, os sagüis matam um dos filhotes. Chimpanzés e gorilas abandonam as crias defeituosas. Também era uma prática recorrente em civilizações de séculos atrás. Em Esparta, cidade-estado da Grécia antiga que primava pela organização militar de sua sociedade, o infanticídio servia para eliminar aqueles meninos que não renderiam bons soldados. Um dos seus mais brilhantes generais, Leônidas entrou para a história por ter liderado a resistência heróica dos Trezentos de Esparta no desfiladeiro de Termópilas, diante do Exército persa, em 480 a.C. Segundo o historiador Heródoto, Leônidas teria sido salvo do sacrifício apesar de ter um pequeno defeito em um dos dedos da mão porque o sacerdote encarregado da triagem pressentiu o grande futuro que o bebê teria.
Entre os índios brasileiros, o infanticídio foi sendo abolido à medida que se aculturavam. Mas ele resiste, principalmente, em tribos remotas - e com o apoio de antropólogos e a tolerância da Funai. É praticado por, no mínimo, treze etnias nacionais. Um dos poucos levantamentos realizados sobre o assunto é da Fundação Nacional de Saúde. Ele contabilizou as crianças mortas entre 2004 e 2006 apenas pelos ianomâmis: foram 201. Mesmo índios mais próximos dos brancos ainda praticam o infanticídio. Os camaiurás, que vivem em Mato Grosso, adoram exibir o lado mais vistoso de sua cultura. Em 2005, a tribo recebeu dinheiro da BBC para permitir que lutadores de judô e jiu-jítsu disputassem com seus jovens guerreiros a luta huka-huka, parte integrante do ritual do Quarup, em frente às câmeras da TV inglesa. Um ano antes, porém, sem alarde, os camaiurás enterraram vivo o menino Amalé, nascido de uma mãe solteira. Ele foi desenterrado às escondidas por outra índia, que, depois de muita insistência, teve permissão dos chefes da tribo para adotá-lo.
Há três meses, o deputado Henrique Afonso (PT-AC) apresentou um projeto de lei que prevê pena de um ano e seis meses para o "homem branco" que não intervier para salvar crianças indígenas condenadas à morte. O projeto classifica a tolerância ao infanticídio como omissão de socorro e afirma que o argumento de "relativismo cultural" fere o direito à vida, garantido pela Constituição. "O Brasil condena a mutilação genital de mulheres na África, mas permite a violação dos direitos humanos nas aldeias. Aqui, só é crime infanticídio de branco", diz Afonso. Ao longo de três semanas, VEJA esperou por uma declaração da Funai sobre o projeto do deputado e as histórias que aparecem nesta reportagem. A fundação não o fez e não justificou sua omissão. Extra-oficialmente, seus antropólogos apelam para o argumento absurdo da preservação da cultura indígena. A Funai deveria ouvir a índia Débora Tan Huare, que representa 165 etnias na Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira: "Nossa cultura não é estável nem é violência corrigir o que é ruim. Violência é continuar permitindo que crianças sejam mortas".
13 Agosto, 2007
"Novenário de N. Sra da Glória não é só para católicos" - Pe. João Roche

Padre José Roche,
pároco da catedral de Cruzeiro do Sul (AC)
No quarto dia do Novenário em Honra a Nossa Senhora da Glória, o pároco de Cruzeiro do Sul, gentilmente, fala sobre essa que é uma das maiores festas da Região Norte. Os ensinamentos prosseguem nas missas lotadas na catedral, a venda do comércio cresce a cada dia e o padre João comenta as críticas relacionadas ao patrocínio do Governo do Estado, de cerca de R$ 40.000,00, à veneração da santa e aos excessos que precisam ser evitados pela juventude, como sexo e alcoolismo.
Como o senhor definiria o Novenário?
O Novenário é sempre uma ocasião onde a comunidade toda se reúne na igreja (catedral) para louvar a Deus e celebrar com Ele a vida. Isso é para todos os novenários. Mas este evento é também um evento social.
Qual a mensagem espiritual que está sendo passada para os católicos?
A cada ano escolhemos um tema. No primeiro ano em que cheguei aqui (2004) falamos sobre os mistérios que a Bíblia nos conta. No segundo ano falamos onze noites sobre a Eucaristia. O terceiro foi o ano das Bem Aventuranças e este ano voltamos para o tema de Maria. Sempre aproveitamos o Novenário para uma catequese geral.
O que o senhor diria para as pessoas que criticam o patrocínio do Governo ao evento e que usam o argumento de que Estado e religião não deveriam misturar-se?
Sou um daqueles que acha que o Governo não está ligado a nenhuma religião. Achamos absolutamente normal que o Governo faça convênios com a igreja católica, adventista ou batista, porque as igrejas desenvolvem programas sociais de formação e informação. E com isso cumprem uma tarefa muito importante para os jovens, para os casais, para a profissionalização, etc. Muitas vezes as organizações não governamentais têm até mais sucesso nisso do que as igrejas. Numa das nossas primeiras reuniões, em fevereiro ou março debatemos sobre quanto deveríamos gastar nessa festa. Uns disseram que o show era de evangelização e outros disseram que lá fora ouve-se shows desse tipo enquanto se toma um refrigerante, então nesse sentido não seria um show de evangelização, mas de divertimento. Acho que nunca conseguiremos fazer algo no sentido de que todos tenham a mesma opinião. Mas ninguém vai negar que para a cidade é uma festa especial, e não só para os católicos, é também uma festa social. Então aí o Governo ajuda um pouquinho mais do que em outras ocasiões.
Como é que uma igreja milenar trabalha com as críticas sobre a veneração de imagens?
O Segundo Concílio do Vaticano em 1968, não me lembro bem o ano certo, entre outras decisões, disse claramente que cada pessoa tem a liberdade de escolher suas religiões, com algumas exceção de algumas tendências muito conservadoras. Mas para mim isso é importante porque a consciência é a última instância de cada pessoa. Por isso também quando alguém, conscientemente, vai de uma igreja para outra eu respeito.
De que excessos o senhor está falando, já que existe um relatório da Secretaria Municipal de Cruzeiro do Sul que mostra que nove meses após o Carnaval e nove meses após o período do Novenário e da abertura da BR-364 o índice de nascimento de crianças de mãe solteira fica acima do comum?
Padre João - Sabemos que existe problemas com o uso de bebida alcoólica, mas isso não significa proibir o uso da bebida alcoólica. Eu posso com uma faca cortar um queijo ou furar uma pessoa, e isso não proíbe o uso de uma faca. O álcool usado na dosagem certa ajuda-nos a ter uma bonita festa, enquanto o excesso prejudica-a, e às vezes gravemente. Pode ser que também haja excesso no caso do sexo. A juventude aproveita essa festa para ficar mais longe de casa, quem sabe onde. Mas isso não tem nada a ver diretamente com a festa, mas é um abuso e a igreja pede para ninguém abusar. A juventude, naturalmente, procura seus limites. O adulto precisa ajuda-los a encontrar seus limites. Espero que os excessos fiquem muito limitados e faço um apelo a todos no sentido de ajudar para que isso não aconteça.
Quanto a paróquia costuma arrecadar com o Novenário e o que é feito com esses recursos?
Arrecadamos entre R$ 30 mil e R$ 35 mil e isso serve para o trabalho pastoral, também às vezes para construções e reconstruções. Eu não acho errado quando uma paróquia deste tamanho tenha uma reserva.
O custo de manutenção é muito elevado...
Claro, imagina que venha um temporal e destrói uma parte do telhado. Você não vai reconstruir isso com R$ 10,00. Mas também é importante olhar para o futuro. Queremos construir um salão maior, queremos ter pequenas salas para as várias pastorais guardarem seus materiais. E para construir um prédio desse precisamos de pelo menos R$ 200 mil.
Como está o ânimo dos coordenadores do evento?
Acho que todos os fiéis e de outras denominações cristãs e mesmo aqueles que não têm nada a ver com igrejas, esperam esse momento highligth , como uma luz enorme no fim desde Novenário. Sobretudo quando a procissão desce do Monte da Glória para a catedral e continua, na missa campal, em frente à catedral. Isso é simplesmente impressionante.
No quarto dia do Novenário em Honra a Nossa Senhora da Glória, o pároco de Cruzeiro do Sul, gentilmente, fala sobre essa que é uma das maiores festas da Região Norte. Os ensinamentos prosseguem nas missas lotadas na catedral, a venda do comércio cresce a cada dia e o padre João comenta as críticas relacionadas ao patrocínio do Governo do Estado, de cerca de R$ 40.000,00, à veneração da santa e aos excessos que precisam ser evitados pela juventude, como sexo e alcoolismo.
Como o senhor definiria o Novenário?
O Novenário é sempre uma ocasião onde a comunidade toda se reúne na igreja (catedral) para louvar a Deus e celebrar com Ele a vida. Isso é para todos os novenários. Mas este evento é também um evento social.
Qual a mensagem espiritual que está sendo passada para os católicos?
A cada ano escolhemos um tema. No primeiro ano em que cheguei aqui (2004) falamos sobre os mistérios que a Bíblia nos conta. No segundo ano falamos onze noites sobre a Eucaristia. O terceiro foi o ano das Bem Aventuranças e este ano voltamos para o tema de Maria. Sempre aproveitamos o Novenário para uma catequese geral.
O que o senhor diria para as pessoas que criticam o patrocínio do Governo ao evento e que usam o argumento de que Estado e religião não deveriam misturar-se?
Sou um daqueles que acha que o Governo não está ligado a nenhuma religião. Achamos absolutamente normal que o Governo faça convênios com a igreja católica, adventista ou batista, porque as igrejas desenvolvem programas sociais de formação e informação. E com isso cumprem uma tarefa muito importante para os jovens, para os casais, para a profissionalização, etc. Muitas vezes as organizações não governamentais têm até mais sucesso nisso do que as igrejas. Numa das nossas primeiras reuniões, em fevereiro ou março debatemos sobre quanto deveríamos gastar nessa festa. Uns disseram que o show era de evangelização e outros disseram que lá fora ouve-se shows desse tipo enquanto se toma um refrigerante, então nesse sentido não seria um show de evangelização, mas de divertimento. Acho que nunca conseguiremos fazer algo no sentido de que todos tenham a mesma opinião. Mas ninguém vai negar que para a cidade é uma festa especial, e não só para os católicos, é também uma festa social. Então aí o Governo ajuda um pouquinho mais do que em outras ocasiões.
Como é que uma igreja milenar trabalha com as críticas sobre a veneração de imagens?
O Segundo Concílio do Vaticano em 1968, não me lembro bem o ano certo, entre outras decisões, disse claramente que cada pessoa tem a liberdade de escolher suas religiões, com algumas exceção de algumas tendências muito conservadoras. Mas para mim isso é importante porque a consciência é a última instância de cada pessoa. Por isso também quando alguém, conscientemente, vai de uma igreja para outra eu respeito.
De que excessos o senhor está falando, já que existe um relatório da Secretaria Municipal de Cruzeiro do Sul que mostra que nove meses após o Carnaval e nove meses após o período do Novenário e da abertura da BR-364 o índice de nascimento de crianças de mãe solteira fica acima do comum?
Padre João - Sabemos que existe problemas com o uso de bebida alcoólica, mas isso não significa proibir o uso da bebida alcoólica. Eu posso com uma faca cortar um queijo ou furar uma pessoa, e isso não proíbe o uso de uma faca. O álcool usado na dosagem certa ajuda-nos a ter uma bonita festa, enquanto o excesso prejudica-a, e às vezes gravemente. Pode ser que também haja excesso no caso do sexo. A juventude aproveita essa festa para ficar mais longe de casa, quem sabe onde. Mas isso não tem nada a ver diretamente com a festa, mas é um abuso e a igreja pede para ninguém abusar. A juventude, naturalmente, procura seus limites. O adulto precisa ajuda-los a encontrar seus limites. Espero que os excessos fiquem muito limitados e faço um apelo a todos no sentido de ajudar para que isso não aconteça.
Quanto a paróquia costuma arrecadar com o Novenário e o que é feito com esses recursos?
Arrecadamos entre R$ 30 mil e R$ 35 mil e isso serve para o trabalho pastoral, também às vezes para construções e reconstruções. Eu não acho errado quando uma paróquia deste tamanho tenha uma reserva.
O custo de manutenção é muito elevado...
Claro, imagina que venha um temporal e destrói uma parte do telhado. Você não vai reconstruir isso com R$ 10,00. Mas também é importante olhar para o futuro. Queremos construir um salão maior, queremos ter pequenas salas para as várias pastorais guardarem seus materiais. E para construir um prédio desse precisamos de pelo menos R$ 200 mil.
Como está o ânimo dos coordenadores do evento?
Acho que todos os fiéis e de outras denominações cristãs e mesmo aqueles que não têm nada a ver com igrejas, esperam esse momento highligth , como uma luz enorme no fim desde Novenário. Sobretudo quando a procissão desce do Monte da Glória para a catedral e continua, na missa campal, em frente à catedral. Isso é simplesmente impressionante.
da Primeira Igreja Batista de Cruzeiro do Sul
Uma das principais diferenças entre evangélicos e católicos, e a que mais atrapalha o movimento pró-ecumenismo, cujo objetivo é unificar as igrejas cristãs, é justamente a veneração a imagens. Os evangélicos repelem com veemência essa prática e citam uma série de textos bíblicos nos quais, segundo eles, Deus condena a idolatria. Mas para os católicos não há mal algum em venerar esculturas ou outras imagens. Contudo, o pastor da Primeira Igreja Batista de Cruzeiro do Sul, Michael Creiglow, mais conhecido como pastor Miguel, não só critica a veneração a imagens como afirma que o Novenário traz sérias conseqüências sociais e nenhum benefício para Cruzeiro do Sul
“Graças a Deus vivemos num país totalmente livre, vivemos uma liberdade religiosa e as pessoas têm o direito de crerem como quiserem. Mas diante da Bíblia é realmente errado adorar imagens. Normalmente os nossos amigos católicos diriam que veneram as imagens e que não a idolatram. Mas nós sabemos que essas palavras (veneração e adoração) são sinônimas, significam exatamente a mesma coisa. E na Bíblia não há nenhum sinal que permitiria honraria a algum santo ou santa nesse nível. Na verdade só quem pode ser homenageado dessa forma é Deus”, explica.
Segundo o pastor Miguel, o Novenário, além de estimular as pessoas a gastarem suas economias, traz outros problemas para a comunidade. “Estou aqui há mais de quarenta anos e vejo muitas pessoas gastando todos os recursos acumulados durante o ano, no curto período de dez dias. Existe também um aumento no índice de bebedeiras. Isso deveria ser condenado pela Igreja, mas a gente percebe que isso é tolerado”, disse.
Para o pastor, “a maioria dos bebês que vão nascer daqui a nove meses será de meninas bem jovens, solteiras. Essa festa é muito semelhante ao que acontece no Carnaval, ao invés de conduzir as pessoas a um comportamento mais espiritual, acaba sendo realmente apenas uma festa pagã com as mesmas conseqüências.
ESTADO E RELIGIÃO
Filho de missionário norte-americano enviado para o Acre, o pastor Miguel explica que sempre foi contra o envolvimento do Estado em questões religiosas. E diz que sempre foram assim os batistas, mesmo antes do século XVI. Ele conta que os batistas não podem ser considerados protestantes, já que antes da Reforma Protestante, protagonizada pelo monge alemão Martinho Lutero, eles já existiam, com o nome de anabatistas, que significa re-batizadores.
“Nós sempre fomos a favor da separação igreja-estado, principalmente quando envolve-se dinheiro. Evidentemente eu entendo que essa festa é considerada mais cultural do que religiosa, mas acho que deva haver essa separação. Nós sabemos que onde há dinheiro há pressões e toda possibilidade de corrupção. Nesse caso, se tem algum dinheiro vindo do governo do estado, é possível que se corrompa a própria igreja, tornando-a difícil de controlar a bebedeira, a prostituição e todas essas coisas tão ruins que trazem uma conseqüência e um peso muito grande para o município e para o Estado”, disse.
O templo da Primeira Igreja Batista de Cruzeiro do Sul está em obras para a expansão. O número de participantes vem crescendo tanto que atualmente são feitos três cultos aos domingos. Em breve o templo terá lugar para três mil pessoas. “Mas nem esse templo vai nos atender, porque a meta da Primeira Igreja Batista é ganhar Cruzeiro do Sul inteira para Cristo”, revela o pastor evangelista.
Segundo o pastor Miguel, o Novenário, além de estimular as pessoas a gastarem suas economias, traz outros problemas para a comunidade. “Estou aqui há mais de quarenta anos e vejo muitas pessoas gastando todos os recursos acumulados durante o ano, no curto período de dez dias. Existe também um aumento no índice de bebedeiras. Isso deveria ser condenado pela Igreja, mas a gente percebe que isso é tolerado”, disse.
Para o pastor, “a maioria dos bebês que vão nascer daqui a nove meses será de meninas bem jovens, solteiras. Essa festa é muito semelhante ao que acontece no Carnaval, ao invés de conduzir as pessoas a um comportamento mais espiritual, acaba sendo realmente apenas uma festa pagã com as mesmas conseqüências.
ESTADO E RELIGIÃO
Filho de missionário norte-americano enviado para o Acre, o pastor Miguel explica que sempre foi contra o envolvimento do Estado em questões religiosas. E diz que sempre foram assim os batistas, mesmo antes do século XVI. Ele conta que os batistas não podem ser considerados protestantes, já que antes da Reforma Protestante, protagonizada pelo monge alemão Martinho Lutero, eles já existiam, com o nome de anabatistas, que significa re-batizadores.
“Nós sempre fomos a favor da separação igreja-estado, principalmente quando envolve-se dinheiro. Evidentemente eu entendo que essa festa é considerada mais cultural do que religiosa, mas acho que deva haver essa separação. Nós sabemos que onde há dinheiro há pressões e toda possibilidade de corrupção. Nesse caso, se tem algum dinheiro vindo do governo do estado, é possível que se corrompa a própria igreja, tornando-a difícil de controlar a bebedeira, a prostituição e todas essas coisas tão ruins que trazem uma conseqüência e um peso muito grande para o município e para o Estado”, disse.
O templo da Primeira Igreja Batista de Cruzeiro do Sul está em obras para a expansão. O número de participantes vem crescendo tanto que atualmente são feitos três cultos aos domingos. Em breve o templo terá lugar para três mil pessoas. “Mas nem esse templo vai nos atender, porque a meta da Primeira Igreja Batista é ganhar Cruzeiro do Sul inteira para Cristo”, revela o pastor evangelista.
08 Agosto, 2007
Venda da Amazônia é investigada

Órgãos como Incra, Itamaraty e Ministério Público decidiram apurar denúncia de venda de terras a estrangeiros. As primeiras suspeitas caem sobre algumas ONGs que atuam na região. Representantes da Justiça e do Governo reuniram-se nesta quarta-feira para iniciar investigações sobre denúncias de compra de terras por estrangeiros na Amazônia pela organização não-governamental inglesa Cool Earth. O coordenador do grupo é o deputado Asdrubal Bentes (PMDB-PA).
Há dois meses, a organização Cool Earth revelou que promovia uma campanha de arrecadação de recursos em seu site "para impedir o desmatamento e reduzir as emissões de gases estufa na atmosfera". Analistas consultados por parlamentares concluíram que há outro objetivo por trás dessa intenção. A empresa estaria disposta a tomar posse de grandes áreas da região.
Bentes vai propor ao grupo de trabalho uma viagem até as áreas sobre as quais existem denúncias de compra de terra por estrangeiros, além dos limites impostos pela legislação brasileira. "As investigações não devem se restringir ao caso da Cool Earth; nossa preocupação é que estejam loteando a Amazônia, vendendo terras a estrangeiros, valendo-se de ONGs", alertou.
A legislação brasileira autoriza pessoas de outros países a comprar áreas de até 50 módulos rurais, desde que respeitadas algumas regras. Há denúncias, porém, de que alguns estrangeiros têm constituído empresas nacionais para poder atuar como qualquer cidadão brasileiro e poder comprar terras sem restrições.
Reportagens da Agência Amazônia repercutem
BRASÍLIA — A Agência Amazônia tratou do assunto duas vezes, entre 2006 e 2007: primeiro publicou reportagem especial da jornalista Memélia Moreira, informando que a organização não-governamental Nature Rights (Direitos da Natureza), liderada pela grafista franco-portuguesa Samantha Novella sugeriu o loteamento de áreas ainda intactas da região amazônica ao custo de, no mínimo, um euro por ano, com fins de conservação. O assunto repercutiu no Congresso Nacional.
Depois, em março de 2007, reportagem deste site informou que um pseudo laboratório denominado Arkhos Biotech pôs à venda a Amazônia num vídeo de 1 minuto e 25 segundos postado no Youtube. A deputada Perpétua Almeida (PC do B-AC) ingressou na Procuradoria da República com pedido de abertura de inquérito civil público para apurar a origem do vídeo. A empresa fictícia, criada por publicitários a serviço da Ambev (fabricante do guaraná Antarctica) convocou o mundo a investir “para transformar a floresta (Amazônia) num santuário de preservação sob controle privado.
Má fé do laboratório e boa fé dos jornalistas
O jornalista Chico Bruno, do site Primeira Hora, comentou na ocasião: "A verdade sobre a campanha de privatização da Amazônia, proposta pela empresa Arkhos Biotech, desvendada pela editora assistente da Folha de São Paulo Malu Delgado, que foi à luta e descobriu que “a ficção pregou uma peça na política”, foi considerado um mico pelo senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), que repercutiu a denúncia da Agência Amazônia na tribuna do Senado.Discordo do senador.
"O debate sobre o assunto serve de alerta as autoridades brasileiras para as brincadeiras de mau gosto que circulam na internet. Cabe ao governo brasileiro apurar as reais intenções dessa ação, que repercutiu na imprensa e no Congresso Nacional.
"Aqui não interessa discutir se a Arkhos é real ou virtual. O que interessa discutir é que existe um site na internet ( www.arkhosbiotech.com) pregando a internacionalização da Amazônia.
"Os senadores e deputados que levaram ao Congresso Nacional a denúncia da Agência Amazônia de Notícias, assim como a própria agência e todos os jornalistas que se indignaram com a descoberta do site agiram de boa fé em defesa da Amazônia".
Saiba mais
Para alguns críticos, a primeira fase da internacionalização da Amazônia teria sido a criação de grandes reservas indígenas e ecológicas. Atualmente existem cerca de 1,1 milhão de quilômetros quadrados para cerca de 400 mil índios.
Em 2006 o ministro inglês do Meio Ambiente, David Miliband disse que seu país quer "privatizar" a Amazônia. Foi durante a 2ª Reunião Ministerial do Diálogo de Gleneagles sobre Mudanças Climáticas, em Monterrey, no dia 30 de setembro daquele ano.
O jornal Daily Telegraph noticiou a existência de um plano armado pelo gabinete de primeiro-ministro Tony Blair, de promover uma "privatização completa da Amazônia", sob a justificativa de evitar o aquecimento global.
Em 21 de março de 2006, na reportagem "Ricos criam o colonialismo verde", o jornal O Estado de S.Paulo também noticiara que milionários ingleses pretendem adquirir terras da Amazônia.
Há dois meses, a organização Cool Earth revelou que promovia uma campanha de arrecadação de recursos em seu site "para impedir o desmatamento e reduzir as emissões de gases estufa na atmosfera". Analistas consultados por parlamentares concluíram que há outro objetivo por trás dessa intenção. A empresa estaria disposta a tomar posse de grandes áreas da região.
Bentes vai propor ao grupo de trabalho uma viagem até as áreas sobre as quais existem denúncias de compra de terra por estrangeiros, além dos limites impostos pela legislação brasileira. "As investigações não devem se restringir ao caso da Cool Earth; nossa preocupação é que estejam loteando a Amazônia, vendendo terras a estrangeiros, valendo-se de ONGs", alertou.
A legislação brasileira autoriza pessoas de outros países a comprar áreas de até 50 módulos rurais, desde que respeitadas algumas regras. Há denúncias, porém, de que alguns estrangeiros têm constituído empresas nacionais para poder atuar como qualquer cidadão brasileiro e poder comprar terras sem restrições.
Reportagens da Agência Amazônia repercutem
BRASÍLIA — A Agência Amazônia tratou do assunto duas vezes, entre 2006 e 2007: primeiro publicou reportagem especial da jornalista Memélia Moreira, informando que a organização não-governamental Nature Rights (Direitos da Natureza), liderada pela grafista franco-portuguesa Samantha Novella sugeriu o loteamento de áreas ainda intactas da região amazônica ao custo de, no mínimo, um euro por ano, com fins de conservação. O assunto repercutiu no Congresso Nacional.
Depois, em março de 2007, reportagem deste site informou que um pseudo laboratório denominado Arkhos Biotech pôs à venda a Amazônia num vídeo de 1 minuto e 25 segundos postado no Youtube. A deputada Perpétua Almeida (PC do B-AC) ingressou na Procuradoria da República com pedido de abertura de inquérito civil público para apurar a origem do vídeo. A empresa fictícia, criada por publicitários a serviço da Ambev (fabricante do guaraná Antarctica) convocou o mundo a investir “para transformar a floresta (Amazônia) num santuário de preservação sob controle privado.
Má fé do laboratório e boa fé dos jornalistas
O jornalista Chico Bruno, do site Primeira Hora, comentou na ocasião: "A verdade sobre a campanha de privatização da Amazônia, proposta pela empresa Arkhos Biotech, desvendada pela editora assistente da Folha de São Paulo Malu Delgado, que foi à luta e descobriu que “a ficção pregou uma peça na política”, foi considerado um mico pelo senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), que repercutiu a denúncia da Agência Amazônia na tribuna do Senado.Discordo do senador.
"O debate sobre o assunto serve de alerta as autoridades brasileiras para as brincadeiras de mau gosto que circulam na internet. Cabe ao governo brasileiro apurar as reais intenções dessa ação, que repercutiu na imprensa e no Congresso Nacional.
"Aqui não interessa discutir se a Arkhos é real ou virtual. O que interessa discutir é que existe um site na internet ( www.arkhosbiotech.com) pregando a internacionalização da Amazônia.
"Os senadores e deputados que levaram ao Congresso Nacional a denúncia da Agência Amazônia de Notícias, assim como a própria agência e todos os jornalistas que se indignaram com a descoberta do site agiram de boa fé em defesa da Amazônia".
Saiba mais
Para alguns críticos, a primeira fase da internacionalização da Amazônia teria sido a criação de grandes reservas indígenas e ecológicas. Atualmente existem cerca de 1,1 milhão de quilômetros quadrados para cerca de 400 mil índios.
Em 2006 o ministro inglês do Meio Ambiente, David Miliband disse que seu país quer "privatizar" a Amazônia. Foi durante a 2ª Reunião Ministerial do Diálogo de Gleneagles sobre Mudanças Climáticas, em Monterrey, no dia 30 de setembro daquele ano.
O jornal Daily Telegraph noticiou a existência de um plano armado pelo gabinete de primeiro-ministro Tony Blair, de promover uma "privatização completa da Amazônia", sob a justificativa de evitar o aquecimento global.
Em 21 de março de 2006, na reportagem "Ricos criam o colonialismo verde", o jornal O Estado de S.Paulo também noticiara que milionários ingleses pretendem adquirir terras da Amazônia.
06 Agosto, 2007
A rã é nossa - ou não?
Chico Araújo, da Agência Amazônia, escreveu o texto abaixo, que mostra que biopiratas vendem rãs brasileiras pela internet . A espécie de rã do Brasil, a Dendrobates castaneoticus, foi roubada do Zoológico de Oklahoma e está à venda. A matéria revela a competência louvável do jornalista, mas gera indignação nesse humilde cidadão brasileiro e amazônida. Não somente pelo roubo do anfíbio em território norteamericano, mas pela facilidade com que a rã saltou do solo brasileiro para uma universidade daquele país.Ora, conheço pesquisadores brasileiros que estão na mesma ou superiores a estatura dos estrangeiros, vivem na Amazônia, amam nosso país e, pasmem, são proibidos pelo Ibama de pesquisar nossos anfíbios.
É moda dizer que a Amazônia já está internacionalizada. A julgar pelas trapalhadas do Ibama, está mesmo.
Mas vamos ao texto.
BRASÍLIA – Uma espécie de rã do Brasil, a Dendrobates castaneoticus, roubada do Zoológico de Oklahoma está sendo vendida na internet por criadores comerciais e amadores. A espécie, até então desconhecidas da ciência, foi descrita em 1990 pelos pesquisadores norte-americanos Janalee Paige Cladwell e Charles Witt Myers. Eles participavam de um projeto de expedição científica em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi.
AMERICAN MUSEUM A espécie, também chamada de rã-da-castanha, teve exemplares coletados na Cachoeira Juruá, no rio Xingu, e na localidade de Taperinha, ambas no Pará. As localidades ficam a 300 quilômetros uma da outra. Com autorização do Ibama, os pesquisadores norte-americanos levaram répteis, anfíbios e outros animais vivos para os Estados Unidos para serem pesquisados. Da espécie de rãs foram 15 exemplares.
O envio das rãs ocorreu em 1995, segundo o professor Guarino Rinaldi Colli, da Universidade da Brasília (UnB). Ele prestou depoimento à CPI da Biopirataria no dia 23 de fevereiro de 2005.
Guarino Colli confirmou o envio dos exemplares da fauna brasileira para pesquisa na Universidade de Oklahoma. Uma das espécies, a rã-da-castanha (Dendrobates castaneoticus) fora descrita por Janalee Caldwell num trabalho intitulado A New Poison Frog from Amazoniam Brazil, with Further Revision of the quinquevittatus Group of Dendrobates. Caldwell fez experimentos de campo no Brasil sobre o comportamento de forrageamento da espécie. Para continuar seus estudos, a pesquisadora obteve licença do Ibama para levar aos EUA os animais objetos da pesquisa.
Os estudos de Caldwell foram bem-sucedidos e publicados em um boletim da Universidade de Oklahoma. Mais tarde, a Universidade de Nebraska desenvolveu um software educativo para jovens mulheres e, em função do sucesso dessas atividades, o Zoológico de Oklahoma City optou por exibir os resultados da pesquisa. Foi aí que os exemplares das rãs (enviados aos EUA para fins de pesquisa) foram exibidos ao público. Alguns deles, apurou a CPI , teriam sido roubados do zoológico.
Repasses indevidos
Exemplares das rã-da-castanha foram repassados indevidamente a várias instituições de pesquisas norte-americanas. Receberam as espécies o Memphis Zoo, o Mesker Park Zoo & Botanic Garden, Sedgwick County Zoo, Philadelphia Zoo, Omaha´s Henry, Doorly Zoo e Montegomery Zoo. "Na verdade, o Zoológico de Oklahoma é quem fez o repasse indevidamente, sem consultar os pesquisadores", explicou Guarino, em e-mail à Agência Amazônia. Além do repasse indevido, houve também tentativa de exportação de alguns exemplares das rãs para a Holanda.
Guarino garante a tentativa de exportação das rãs para a Holanda foi descoberta pelos próprios pesquisadores. "Graças à iniciativa deles (pesquisadores) é que a exportação foi impedida e a exportação desse criador (da Louisiana) foi cassada pelo US Fish&Wildlife", explica Guarino Colli. Por essa razão, Guarino sustenta que os animais hoje comecializados na internet não são provenientes daqueles enviados aos EUA pelos pequisadores norte-americanos.
Após pressão do Ibama, os pesquisadores norte-americanos assumiram o compromisso de localizar e repatriar os exemplares de rã-da-castanha que ainda existisse naquele país. E isso se deu por meio de um termo de ajustamento de conduta (TAC) entre os pesquisadores e o Ibama. Guarino assinou o termo na condição de intervenente.
Instados a dar explicações, os zoológicos se limitaram a afirmar que os animais (as rãs) haviam morrido. Eles passaram essas informações por carta e não se investigou mais nada a respeito do assunto. Segundo Guarino, uma investigação sobre as rãs não faria sentido porque muitos dos zoológicos receberam os animais pelos correios e muitos deles morreram durante o transporte. Por esse motivo, ele considera "indesejável e completamente infundada" a suposição de que os zoológicos tenham mentido acerca da morte dos animais.
"As Dendrobates castaneoticus repassadas aos zoológicos entraram legalmente nos EUA e quem inquiriu sobre o estoque de animais ainda remanescentes não foi a polícia, mas sim os pesquisadores. Assim sendo, não há porque supor que os zoológicos estariam mentindo, pois não estão sob qualquer ameaça", ressalta Guarino.
O relator da CPI, deputado Sarney Filho (PV-MA), chegou a acionar a Polícia Federal (PF) para investigar o caso. A CPI reconheceu que os pesquisadores agiram de boa-fé, mas faz uma ressalva: "Talvez, por ingenuidade, não houve o devido zêlo por exemplares da fauna brasileira". A comissão não conseguiu provar que as rãs-de-castanha comercializadas por criadores norte-americanos sejam do mesmo plantel de pesquisa do Oklahoma Museum of Natural History. Mesmo assim, o relatório da CPI levanta suspeitas de que as rãs colocadas à venda tenham sido reproduzidos a partir dos exemplares cedidos a outras instituições, e roubados.
Explicações à CPI
Preocupado com a repercussão do caso, o professor Guarino Rinaldi Colli conta que enviou uma carta à CPI da Biopirataria detalhando sobre a exportação das rãs-da-castanha pelos pesquisadores norte-americanos. Colli assegura no texto aos deputados que o comércio de Dendrobates castaneoticus nos Estados Unidos não tem qualquer relação com os exemplares exportados do Brasil. Ele também lembra que o tráfico de animais silvestres, segundo a Renctas, movimenta cerca de US$ 10 bilhões anualmente - o Brasil é responsável por cerca de 10% desse mercado.
Colli também mostra à CPI dados sobre o comércio internacional das rãs-da-castanha. Ele cita o estudo de Gorzula (1996). O documento traça um perfil do comércio internacional de dendrobatídeos de 1987 a 1993. Segundo o estudo, 15.779 indivíduos da família Dendrobatidae foram comercializados legalmente. Cerca de 83% desses indivíduos eram provenientes de ambientes naturais e não de criadouros. Gorzula afirma ainda que não houve evidência, para oito espécies representadas por indivíduos criados em cativeiro, de que estoques reprodutores tenham sido legalmente importados para as nações produtoras durante o período.
"Esses dados, tomados no conjunto, indicam a existência de um grande volume de transações internacionais, tanto legais quanto ilegais, envolvendo dendrobatídeos. Daí, sugerir que o intenso comércio de Dendrobates castaneoticus por criadores privados nos Estados Unidos" tenha se originado do incidente com os doutores Vitt e Caldwell seria ignorar a existência dessas transações", diz Guarino, no texto que enviou à CPI da Biopirataria.
Cousteau retorna à Amazônia
Jean-Michel Cousteau, herdeiro de Jacques Cousteau (1910-1997), está de volta à Amazônia, onde esteve vinte e cinco anos atrás. Sua viagem será transformada num documentário a ser exibido no canal aberto dos Estados Unidos. De acordo com Ana Maria Mejia, da Agência Amazônia, ele surpreendeu-se com as informações obtidas numa longa entrevista com o governador do Amazonas Eduardo Braga sobre política de preservação ambiental. Braga falou sobre a lei de mudanças climáticas que consolida o compromisso das autoridades amazonenses com seus povos, a floresta e a evolução tecnológica ao oferecer mecanismos que reduzam o impacto ambiental. Também apresentou o programa Bolsa Floresta que inicialmente vai remunerar com R$ 50/mês os moradores de áreas de preservação ambiental.Para quem preservar o planeta significa garantir o próprio futuro nada mais inquietante que percorrer rios e cidades amazônicas em companhia de calejados profissionais que também participaram da expedição nos anos 80, em companhia de Jacques Cousteau, e ainda da mais nova geração, a exemplo de seu filho Fabien Cousteau, 40 anos, que conduz as entrevistas com os habitantes da floresta.Legenda: O pesquisador e o governador do Amazonas, Eduardo Braga.
05 Agosto, 2007
Voltamos!
Olá, meus amigos. Depois de uma breve parada, voltamos ao trabalho. Nesses dias de ócio curti a visita da minha filha Isis e do meu filho Vitor. Que sairam do Rio de Janeiro trazendo um boeing de alegria para esse velho guerrilheiro de idéias, em sua sobrevida acreana.
Mais um dia se põe na Amazônia, dessa vez sob um novo olhar.
Navegamos sobre as águas do Rio Môa
Vitor conhece Cruzeiro do Sul, a segunda maior cidade acreana

E ajuda a manter firme a bandeira da revolução acreana!
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