30 Março, 2007

Sebrae avalia projetos para Unha de Gato e Copaíba


Texto de Sandra Assunção


Foto: Manoel aprendeu a extrair o óleo da floresta sem danificar as plantas

Copaíba, unha de gato, andiroba, açaí, patoá e buriti. Para as populações tradicionais das florestas e beiras de rios, os produtos são velhos conhecidos, seja para a alimentação ou fabricação de remédios naturais. Agora a maioria é cobiçada pelas indústrias de medicamentos e cosméticos. Mas como fazer para que a riqueza das matas sirva ao povo que mora nela sem que a natureza seja prejudicada? È possível desenvolver projeto em que os produtos florestais não madeireiros, como as resinas e os óleos, sejam a matéria prima de centenas de mini indústrias na floresta?

Para responder a estas perguntas e decidir pela implantação do projeto de produtos madeireiros não florestais na região do Vale do Juruá, técnicos do Sebrae estiveram na região fazendo estudo sobre a produção da unha de gato e do óleo da copaíba. De acordo com levantamento a região do Juruá tem uma das maiores concentrações de árvores de copaíba da Amazônia. Enquanto nas demais regiões, são encontradas duas árvores de copaíba por cada 10 hectares, aqui são seis árvores em 10 hectares. A unha de gato, um cipó, que lembra a forma da unha dos felinos, também é abundante. De acordo com a Associação dos trabalhadores do Projeto Vitória, em Porto Valter, só em 2004, foram comercializados cerca de 300 toneladas deste cipó.
De acordo com Carolina Gaia, gerente de atendimento coletivo e indústria do Sebrae, os estudos serão analisados pela diretoria da instituição, que dará a palavra final sobre a execução de fato do projeto dos produtos florestais não madeireiros.

"Se já há um ciclo econômico em torno do óleo de copaíba e uma de gato, o Sebrae poderá potencializar as iniciativas. Se a direção do Sebrae der o sinal verde, vamos desenhar o projeto junto com as comunidades que vão nos dizer sua capacidade e necessidade real", relata Carolina Gaia.

Se executado o projeto, o Sebrae vai estimular toda a cadeia produtiva, desde coleta e o processamento adequados, a prospecção de novos canais de mercados que paguem pelo diferencial dos produtos ambientalmente corretos e socialmente justos, além de buscar parceiros para investimentos em mini indústrias de óleos, ou de higiene e limpeza.

EMPREENDEDORES - Muitos ribeirinhos, ex-seringueiros e agricultores aprenderam a extrair resinas e óleos das espécies na mata e fazer sabão, sabonete e outros itens para as tarefas domésticas. Outros transformam os produtos em negócio, tornando-se pequenos empreendedores. Seu Manoel Bezerra de Souza, que mora em Mâncio Lima, há 50 quilômetros de Cruzeiro do Sul, é um deles. Seu Manoel conta que desde pequeno via a mãe fazendo sabão para suprir as necessidades domésticas. Passou a fazer experiências com o patoá, buriti, açaí, andiroba e a copaíba.

Não parou nas próprias experiências: foi em busca de especialização em Rio Branco. Fez oficinas na Fundação de Tecnologia do Acre, Funtac e na Universidade Federal do Acre, onde aprendeu a dominar a arte de retirar os óleos sem danificar a natureza e confeccionar os sabonetes e sabão. "Antes dos cursos para retirar o óleo da copaíba, derrubávamos a árvore inteira. Agora retiramos o óleo e a árvore fica na floresta para novas extrações", explica seu Manoel.

FUNDO DE QUINTAL - Hoje no fundo quintal de casa em Mâncio Lima, o empreendedor tem uma pequena fábrica de sabão e sabonete. Fabrica e vende cerca de 700 unidades por mês e cada sabonete custa R$ 2,50. A fábrica já gera três empregos diretos. "Além, disso compro toda matéria prima (copaíba, buriti, açaí, patoá) de famílias que vivem na floresta e são os coletores. Já é uma pequena renda para eles. Muita coisa que se perderia na mata, hoje sustenta várias famílias", relata seu Manoel.

Recentemente em um novo curso da Funtac seu Manoel a prendeu a fazer óleos de banho bi fásico e trifásico e xampu em barra. Além do talento para as essências, seu Manoel é também inventor. Muitos dos equipamentos da fábrica foram feitos por ele, como a depolpadeira de buriti. E os ensinamentos que adquiriu, seu Manoel Bezerra, repassa. Já ministrou oficina de extração de óleo para os índios Poianawa da aldeia Barão e para os Katukina, na Br 364. Na segunda semana de abril, vai ministrar curso de confecção de sabão e sabonete para prefeitura de Mâncio lima.

DEU NA GLOBO - Tanto talento não passou despercebido. Em dezembro passado seu Manoel mostrou seu trabalho para todo o Brasil por meio do programa Globo Repórter. "Depois da reportagem as vendas aumentaram e surgiram pedidos de Rio Branco, Porto Velho, São Paulo e Curitiba", conta ele.

Com a execução do projeto do Sebrae, milhares de pequenos empreendedores de produtos florestais não madeireiros, como seu Manoel Bezerra podem surgir na região do Vale do Juruá.
Seu Manoel, que já vende cerca de 700 sabonetes por mês e gera empregos, diz que o projeto do Sebrae é a "redenção para milhares de famílias que vivem na mata e sabe como gerar riqueza da própria floresta. Muitos têm o conhecimento e a vontade e com o apoio do Sebrae a tendência é de crescimento", analisa o pequeno empreendedor de Mâncio Lima, no extremo oeste do Brasil.

27 Março, 2007

Estado do Juruá, capital Cruzeiro do Sul

Aproveitando os movimentos para a criação de três novos municípios acreanos, cruzeirenses se organizam para ressuscitar um velho sonho, criar o Estado do Juruá. As reuniões já começaram, os comitês são criados. É cedo para dizer se terão sucesso nessa, mas ao que parece farão barulho. E cada crise na Saúde, na Eletroacre e noutros setores ligados ao governo estadual, é um combustível a mais para que a idéia pegue fogo.
Acima, em vermelho, o mapa da parte acreana reivindicada para a criação do novo estado. Mais ao norte, fora do mapa, seria anexada ao Estado do Juruá os municípios amazonenses de Guajará, Ipixuna, Eirunepé e Envira.

Ao pé da letra a palavra “acre” significa “amargo”, “azedo”, e conversando com cruzeirenses atentos à história da região, e mesmo com os menos atentos, é possível notar que alguns preferem outros sabores. Orgulhosos, os cruzeirenses e seus vizinhos não aceitam viver em segundo plano, pagando por um custo de vida que está entre os mais altos do país. Gasolina custa R$ 3,18, tomate custa R$ 7,90; plano de saúde não existe; atendimentos médicos como de cardiologistas, dermatologistas e outros “istas” é só para quem pode pegar um avião.

O Juruá e esse povo guerreiro que aqui vive lembram um pouco a história que se passa no ano 50 antes de Cristo, quando toda Gália (antiga França) está dominada pelos romanos, menos uma. Essa história é a de Asterix, que começou a ser contada em quadrinhos a partir de 1959, na França, por Albert Uderzo e René Goscinny. O personagem reside, com seus amigos, em uma pequena aldeia ao norte da antiga Gália, resistindo ao domínio romano. Para enfrentar as legiões, contam com a ajuda de uma poção mágica, que lhes dá força sobre-humana, preparada pelo druida Panoramix. A exceção é a de Obelix, que caiu dentro de um caldeirão com a poção quando ainda era bebê, e por isso adquiriu permanentemente a superforça.
Por aqui a superforça deve estar na farinha, na água do Rio Juruá, ou possivelmente nesse estado de espírito que sai daqui em direção a outros cantos do país e do mundo, livre como o vento que surfa sobre a maior floresta do planeta. Um estado de espírito que pode gerar um estado geográfico, o mais ocidental do Brasil.
Mas não é fácil criar um novo estado, principalmente se ele for um pedaço de outros dois. Como querem os juruanses partidários do movimento, a nova estrela da bandeira brasileira seria formada pelos municípios acreanos de Mâncio Lima até Feijó, incluindo o Jordão. Mas tiraria também do Amazonas as localidades de Ipixuna, Guajará, Eirunepé e talvez também o Envira.

O Estado do Juruá quando nascer será maior que Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte, Paraíba, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Espírito Santo, com aproximadamente 126.637.000 milhões de quilômetros quadrados. E com apenas 12 municípios e uma universidade federal, a confirmarem-se os estudos de extração de petróleo e gás sem agressão a maior biodiversidade do planeta que herdará da Serra do Divisor, deverá tornar-se um dos estados mais ricos da federação. Esses municípios juntos, segundo informações estatísticas do IBGE em 2003, arrecadaram R$ 78,554 milhões de riquezas no setor de agropecuária, R$ 40,260 milhões na ainda insipiente indústria, R$ 553,147 milhões no setor de prestação de serviços, R$ 11,690 milhões de impostos. Esses cálculos, que são utilizados nas complicadas equações do PIB (Produto Interno Bruto) dos municípios e estados, mostram que só nesses quatro setores da economia o Estado do Juruá, se fosse já um estado em 2003, teria produzido quase R$ 700 milhões.

20 Março, 2007

Brasileiro cria mosquito antimalária

Deu no portal de notícias G1.com.br, no último dia 19: Marcelo Jacobs-Lorena desenvolveu insetos resistentes com engenharia genética. Teoricamente, bichos poderiam substituir populações normais e vulneráveis.


Mosquitos geneticamente modificados e com ameaçadores olhos verdes fluorescentes são o mais novo inimigo da malária. O inseto foi desenvolvido pelo brasileiro Marcelo Jacobs-Lorena em uma universidade americana. Ele não pode ser contaminado pelo parasita transmissor da doença e vence a competição com o mosquito comum, tomando seu lugar. A doença pode matar até 2,7 milhões de pessoas anualmente, segundo estimativas do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos.

O mosquito transgênico foi apresentado pela equipe de Jacobs-Lorena há cinco anos, na revista científica britânica “Nature”. Agora, em um novo estudo publicado na revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, a “PNAS”, o grupo mostra que seu inseto é mais resistente e pode vencer a luta pela sobrevivência contra a população de mosquitos normais.

“Nossas descobertas são apenas um passo no objetivo maior de se desenvolver uma nova arma contra a malária”, afirmou Jacobs-Lorena ao G1. “No momento, só duas abordagem estão disponíveis: remédios que matam o parasita e inseticidas que matam o mosquito. Não há vacina viável. Há um forte consenso na comunidade científica que a única forma de vencer o enorme desafio da malária é através de diferentes abordagens usadas em conjunto,” completa.

O colega de Jacobs na Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, nos Estados Unidos, Jason Rasgon, concorda. “A manipulação genética jamais será a arma final que derrotará a malária. Ela é apenas uma em um grande arsenal que precisa ser usado conjuntamente contra essa doença. Não há uma bala de prata,” afirma.
Os insetos desenvolvidos por Jacobs-Lorena e Rasgon possuem um “gene antimalária,” que age na sucção de sangue dos mosquitos, e intensos olhos verdes -- que impedem que eles sejam confundidos com mosquitos comuns. “O gene bloqueia a passagem do parasita diretamente na sucção. Os insetos nunca são contaminados,” explica Rasgon.

Por enquanto, o bichinho só sugou sangue com o parasita da malária de camundongos. Testes com o parasita que afeta seres humanos são o próximo passo. Mas, por enquanto, os cientistas já sabem que seu grupo de insetos tem uma taxa de sobrevivência mais alta do que a dos insetos normais.

Começando com um mesmo número de mosquitos transgênicos e não-transgênicos, eles descobriram que, após nove gerações, os insetos resistentes já eram 70% da população total. “Isso vai contra estudos anteriores que diziam que os insetos modificados seriam ‘mais fracos’ que os não-modificados”, diz o brasileiro.

Isso significa que, a longo prazo, teoricamente, eles poderiam substituir a população de mosquitos vulnerável ao parasita. “Isso é possível, mas ainda estamos muito longe de algo do tipo. Acabamos de mostrar que, conceitualmente, dá para fazer. Mas vai demorar antes de testarmos isso em campo aberto”, diz o pesquisador americano.

Segundo Jacobs-Lorena, a modificação genética mostra “promessas consideráveis.” O próximo desafio, segundo ele, é desenvolver meios para introduzir esses genes antimalária nas populações livres na natureza. “Esses processos ainda não existem, mas nosso trabalho mostra que fazer isso vai ser mais fácil do que pensávamos”, diz o brasileiro.

09 Março, 2007

*Mulheres do judiciário são homenageadas




As servidoras do Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região e doTribunal de Justiça de Rondônia tiveram evento especial na manhã de 8 de março, no auditório do TRT em Porto Velho. O dia internacional da mulherfoi comemorado pelos dois tribunais com uma programação eclética edivertida.Na mesa estavam os presidente do TRT, Carlos Augusto Gomes Lôbo e do TJ,desembargador Moreira Chagas, além da desembargadora Zelite AndradeCarneiro, do TJ, juíza Vania Maria da Rocha Abensur, do TRT, médica IdaPeréa e convidadas.Em discurso o juiz Carlos Lôbo destacou a violência doméstica que aindapersiste nos dias atuais, por outro lado, há que se comemorar asconquistas das mulheres no Brasil e no mundo e em especial no PoderJudiciário.O presidente do Tribunal de Justiça de Rondônia, desembargador MoreiraChaves, ressaltou também a evolução das mulheres: das humilhaçõessofridas na idade da pedra às grandes conquistas hoje, especialmente naesfera da justiça brasileira.Como parte da programação, a desembargadora Zelite Carneiro, que integraa câmara criminal do TJ/RO falou sobre “a mulher e suas conquistas” edestacou números sobre a violência e comentou sobre a lei Maria daPenha, sancionada no segundo semestre do ano passado. A melhoria daqualidade de vida e o respeito às mulheres passa necessariamente pelaadoção de políticas públicas pelos governos” enfatizou Zelite.A médica Ida Peréa, antes de falar de seu tema principal “75 anos dovoto feminino no Brasil”, destacou que o respeito à saúde da mulher éconquistado com conscientização e o apoio dos homens. A médicaapresentou uma breve evolução história dos direitos da mulher no país,especialmente a partir do direito ao voto.Uma peça de teatro (esquete) chamou a atenção das participantes, com otema “diga não à violência contra a mulher”, representada pelas própriasautoras, Meire Madalena e Magna Regina Alves Pereira, servidoras da 6ª e2ª VT de Porto Velho, respectivamente. A peça teve a participaçãoespecial do diretor da 5ª VT da capital, Antônio Edson Mendonça, queacompanhou com violão.A organização do evento apresentou um painel com imagens das mulheresque que fazem parte da história da Justiça Estadual e da JustiçaTrabalhista, sob o som do servidor André Luiz, da diretoria-geral doTRT, com violão e voz.Antes de encerrar, a juíza Vania Maria da Rocha Abensur, do TRT da 14ªRegião, em sua palestra “mulheres e discriminação: significado simbólicoe conseqüências práticas” lembrou o fato ocorrido em 8 de março de 1857,em que empregadas de uma tecelagem, em Nova Iorque, morreramcarbonizadas por terem reivindicado seus direitos.A temperatura subiu com o show cover de Ivete Sangalo e Gilberto Gil,apresentados pelos servidores Cilene Rocha Meira Morheb e Geomar deSouza Amorim, ambos do TJ.O evento que contou com o apoio dos cerimoniais e assessorias decomunicação de ambos os tribunais e encerrou com sorteio de brindes._
*Confira a íntegra do discurso do juiz Carlos Lôbo, presidente do TRT da14ª Região:
*http://www.trt14.gov.br/Noticias/Materia%202007/09.03.2007%20-%20Discurso%20presidente.html“senhoras magistradas, representantes do Ministério Público, advogadas,servidoras do Poder Judiciário. É com imensa satisfação que as recebemosem nossa casa neste evento de comemoração do Dia Internacional daMulher. Sejam bem-vindas! Permita-me, desembargador Moreira Chagas, serVossa Excelência o único homem a referir nesta solenidade. Porque hoje éum dia especial. Hoje é o dia delas. Hoje celebra-se mundialmente a lutapela dignidade e melhoria das condições de trabalho e de vida dasmulheres. Se já não persistem os motivos que levaram à greve de08.03.1857, não menos verdade é que hoje a violência doméstica contra amulher é corriqueira, assim como a discriminação e os assédios moral esexual no trabalho. Muitas foram as conquistas das mulheres desde então.Hoje já há mulheres ocupando postos de trabalho que há pouco tempo eramconsiderados exclusivos dos homens. Há mulheres ocupando posições dedestaque na política nacional e internacional. No Poder JudiciárioNacional há mulheres integrando os órgãos em todas as instâncias,inclusive os Tribunais Superiores. No âmbito da Justiça do Trabalho onúmero de juízas é superior ao número de juízes. Atualmente o PoderJudiciário Nacional é comandado por uma mulher: a Ministra Ellen Gracie,Presidente do Supremo Tribunal Federal, que no exercício de tãoimportante cargo tem demonstrado o equilíbrio entre a firmeza e aternura já preconizados por Ernesto Guevara de la Serna. Se a mulher jáse iguala ao homem na força de trabalho, só à ela foi concedido o divinodom de conceber a vida humana. E assim, desdobra-se em seus múltiplospapéis: de mãe (e em não poucos casos de mãe e pai concomitantemente),filha, avó, trabalhadora ... enfim, mulher! Parabenizo todas asmagistradas, integrantes do Ministério Público, servidoras desta Casa eda Justiça Comum por este e por todos os demais dias, porque, naverdade, todo dia é (ou deveria ser) dia da mulher. Perdoem-me, mas nãoposso deixar de prestar homenagem especial às três mulheres da minhavida: minha mãe, Neucila Lôbo, minha filha Iara Lôbo, e minha queridaesposa Patrícia Lôbo que reúne as múltiplas facetas da mulher: é aomesmo tempo mãe, esposa, servidora do Judiciário e a razão de viver deum homem (que graças a Deus sou eu).Obrigado!”

01 Março, 2007

A Gol vai voar Cruzeiro do Sul-Rio Branco

O deputado federal Fernando Melo, pelo PT do Acre, daria algumas entrevistas a radios de Cruzeiro do Sul (AC), na manhã de quinta-feira (01/03), para explicar que a Diretoria de Operações da Gol Transportes Aéreos S.A. entrou em contato com o seu gabinete, em Brasília, para dar a notícia do vôo ligando Cruzeiro do Sul a Rio Branco, já à partir de abril. Segundo Melo, a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) já aprovou a rota.

Os estudos da companhia, que já liga a capital acreana a várias outras cidades do país, começaram desde o ano passado, quando a Varig, no auge da crise, abandonou a rota que hoje é explorada apenas pela Rico Linhas Aéreas.

PATERNIDADE DO VÔO


Quando a Varig desistiu de voar para Cruzeiro do Sul o deputado Henrique Afonso, também do PT acreano, chegou a mobilizar empresários e outros representantes da sociedade de Cruzeiro do Sul, onde tem sua base eleitoral para, durante uma audiência pública, montar a estratégia para convencer a Varig a continuar com o vôo, ou atrair a Gol ou a TAM (Transportes Aéreos Marília).

Os cruzeirenses que conhecem a obsessão de Henrique em lutar contra o isolamento do Juruá já se perguntam sobre a paternidade do vôo da Gol, agora que o deputado Fernando Melo ocupa espaços cada vez maiores nessa questão. Ao tomar conhecimento das primeiras informações os cruzeirenses já estão eufóricos com o novo vôo, mas percebem que a assessoria do deputado Henrique Afonso mais uma vez deixa a desejar, já que desde a eleição não chega uma notícia das ações do cruzeirense aos meios de comunicação locais. Aliás, nem mesmo a importante reunião que o deputado fez com membros do Conselho Regional de Medicina para reconsiderar o afastamento de médicos sem registro de CRM nos hospitais do Juruá e do Acre, foi informada por sua assessoria.

O novato Fernando Melo ocupou a tribuna da Câmara Federal apenas uma única vez, no dia 16 de fevereiro, para uma breve comunicação, contudo, no Juruá seu mandato parece bem mais vibrante que o de Henrique Afonso, que ocupa a tribuna diariamente. Dia 12 de fevereiro, por exemplo, Henrique subiu à tribuna para defender o PAC, a conclusão da BR-364 e a continuidade do programa Luz Para Todos. No dia 8 já havia discursado sobre o conflito de terras em Lábrea (fronteira dos estados de Acre e Amazonas) e na véspera exaltara a premiação da ministra Marina Silva, pela ONU. Mas nada disso foi informado por sua assessoria aos meios de comunicação do Vale do Juruá.

RICO VOA COM PREÇOS E RISCOS ALTOS


Além do elevado valor da passagem aérea cobrada para a travessia entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul, que às vezes beira os R$ 300,00, a Rico, que detém o monopólio do vôo, vem dando sucessivos sustos aos usuários da empresa. Essa semana duas panes fizeram os passageiros recordarem o triste acidente que tirou a vida de dezenas de cruzeirenses, entre eles o deputado federal Ildefonso Cordeiro e sua esposa, Arlete Cordeiro, pais do também deputado federal Ilderlei Cordeito (PPS-AC).

O 737-300 que partiria para Rio Branco com mais de cem passageiros à bordo parou os procedimentos para a decolagem quando um fiscal de pista chamou a atenção para o vazamento de óleo nas engrenagens da aeronave. Os passageiros então aguardaram uma segunda aeronave que chegou de Manaus com peças e mecânicos para fazer os devidos reparos. Mas durante o vôo para Cruzeiro do Sul o avião teria rachado o pára-brisa ao chocar-se com uma nuvem de formações de cristais de gelo.